EUA reforçam precaução contra falhas em máquinas de votação

Políticos e especialistas alertam para possíveis problemas; Estados deixam sistema eletrônico e voltam ao papel

Efe,

30 de outubro de 2008 | 21h39

As autoridades de vários Estados americanos tomaram medidas de precaução contra eventuais problemas técnicos nas máquinas de votação na próxima terça-feira que, segundo advertiram nesta quinta-feira, 30, vários analistas, minariam o processo democrático do país. Líderes políticos, acadêmicos e até os próprios eleitores se somaram às queixas por possíveis erros nas máquinas que milhões utilizarão em 4 de novembro para escolher o próximo presidente americano, além de decidir outras disputas regionais.   Veja também: Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Nos EUA, cada Estado decide seu método de votação. Metade dos eleitores usará um sistema de leitura ótica das cédulas, um terço utilizará telas eletrônicas e os demais, sistemas mecânicos, mas cada procedimento tem seus próprios desafios, segundo analistas.   As empresas É&S, Hart InterCivic, Premier/Diebold e Sequoia Voting Systems são as principais provedores das máquinas eletrônicas, e foram objeto de críticas pela confiabilidade do equipamento. A possibilidade de que se prive os eleitores de representação, devido à vulnerabilidade nas máquinas, põe em risco mais de 5 milhões de eleitores em Nova Jersey", afirmou nesta quinta Penney Venetis, que lidera um processo contra o Estado.   Um relatório encarregado como parte do litígio indicou que cerca de 10 mil máquinas em 18 dos 21 condados de Nova Jersey podem ser manipuladas. As autoridades eleitorais de Maryland e Virgínia, Estados vizinhos a Washington, indicaram nesta quinta que, após o pleito de terça-feira, abandonarão as máquinas de alta tecnologia e retornarão às cédulas de votação.   Para o delegado estadual de Maryland, Timothy Hugo, a maior preocupação é de que "os votos não se contem de forma correta" e que as máquinas eletrônicas não tenham forma de verificar o sufrágio emitido. A Assembléia Geral de Maryland aprovou em 2007 a eliminação do sistema de máquinas eletrônicas, que custou US$ 65 milhões, e retornar às cédulas impressas nas eleições legislativas de 2010, enquanto a Virgínia proibiu a compra de mais máquinas eleitorais.   Na Virgínia Ocidental, as autoridades realizaram na terça-feira passada um "teste" das máquinas para aumentar a confiança do público. A simulação de voto não encontrou problemas e as autoridades eleitorais confiam em que tudo está pronto para na próxima terça.   Plano alternativo   Enquanto isso, um juiz federal na Pensilvânia ordenou que as autoridades estaduais imprimam cédulas de votação, para o caso de falharem as máquinas eletrônicas. A participação eleitoral na Pensilvânia é estimada em até 80%, mas o juiz Harvey Bartle não se preocupa tanto com a inconveniência das filas e demoras, que seriam "inevitáveis", quanto com a possibilidade que haja erros na contagem de votos.   Ao assinalar que o pleito é "inadiável", Bartle ordenou que as autoridades recorram imediatamente às cédulas impressas, se pelo menos 50% das máquinas falharem em cada centro eleitoral. A Pensilvânia é um dos Estados-chave nesta disputa e, segundo as enquetes, tende a se inclinar pelo candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama.   Um estudo da Universidade Princeton destacou na terça-feira passada a vulnerabilidade das máquinas eletrônicas, em particular as fabricadas pela Sequoia Voting Systems, que poderiam ser trocadas em sete minutos por alguém que tenha um conhecimento básico de computação.   A empresa californiana questionou a metodologia e as conclusões dos pesquisadores e condenou o "tom incendiário" do estudo de 158 páginas, ordenado por um juiz federal. O Centro Brennan para a Justiça, da Universidade de Nova York, advertiu por carta os secretários de Estado em 16 estados onde se utilizam as máquinas "iVotronic" de que estas poderiam ser alteradas.   O centro recomendou que se encoraje o uso de arquivos impressos para verificar o voto. David Jefferson, cientista de computação do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, na Califórnia, considerou que a melhor maneira de assegurar a transparência dos resultados é pelo uso de cédulas lidas por um scanner ótico e um sistema confiável de auditoria dos votos.

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