Ex-candidata a vice reafirma declaração polêmica sobre Obama

Apoiadora de Hillary, Geraldine Ferraro diz que intriga da campanha do senador está dividindo o partido

Reuters,

12 de março de 2008 | 13h55

A ex-candidata à vice-presidência dos Estados Unidos Geraldine Ferraro reafirmou, nesta quarta-feira, 12, sua declaração de que o pré-candidato democrata Barack Obama só chegou aonde chegou por ser negro e disse que a reação da campanha dele às palavras dela estava dividindo o partido.   Veja também: Obama supera Hillary nas primárias do Mississippi Confira a disputa em cada Estado  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Obama, que pode se transformar no primeiro presidente negro dos EUA, serviu-se do amplo apoio do eleitorado negro para vencer as prévias de terça-feira no Mississippi, aumentando sua vantagem sobre Hillary quanto ao número de delegados que cada um elegeu para a convenção em que o Partido Democrata escolherá, em agosto, seu candidato. Obama, senador pelo Estado do Illinois, também tinha vencido no sábado, em Wyoming.   "Meus comentários foram tirados do contexto de uma forma tal e tachados de racista pelos assessores de Obama que estão fazendo precisamente o que eles não desejam - estão reverberando no Partido Democrata e dividindo-nos ainda mais", afirmou Ferraro, em entrevista concedida ao canal ABC.   Ferraro, candidata democrata à vice-presidência em 1984 e a única mulher a ter participado da corrida presidencial na disputa por um dos dois maiores cargos do país, deflagrou a polêmica ao dizer, para um jornal da Califórnia, que, "se Obama fosse branco, ele não estaria onde está hoje". "E, se ele fosse mulher, ele não estaria onde está hoje. O fato é que ele tem muita sorte de ser quem é. E o país deixou-se seduzir por essa idéia", afirmou Ferraro.   A ex-candidata, que dá apoio à pré-candidata Hillary Clinton, adversária de Obama na corrida pela vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais de novembro, confirmou à rede ABC o teor de sua declaração e disse ter ficado ofendida com a reação dos assessores de Obama, os quais a acusaram de ser racista.   Ferraro afirmou lutar há 40 anos contra os preconceitos. "Eu fiquei preocupada com a forma como fui tratada e indignada com o fato de que eles distorceram isso para dar a entender que eu seja, de alguma forma, racista", disse.   Ao ser questionado sobre as declarações de Ferraro, Obama respondeu que ser um "homem afro-americano chamado Barack Obama" não representava o caminho mais curto para se chegar à Presidência dos EUA. "Qualquer um ciente da história deste país não levaria a sério, acredito, a idéia de que isso tem sido uma grande vantagem. Mas não acho, tampouco, que isso seja uma desvantagem", afirmou o pré-candidato.   Hillary, que se tornaria a primeira mulher a ocupar a Presidência dos EUA, disse na terça-feira não concordar com os comentários de Ferraro e considerou-os "lamentáveis". Mas os aliados de Obama a acusaram de ter dois pesos e duas medidas, porque a pré-candidata não teria repreendido Ferraro e não teria afastado a assessora de sua campanha.   Uma assessora de Obama para questões de política externa renunciou na semana passada após afirmar a um jornal britânico que Hillary era "um monstro".

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