Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

Morre um dos pilares da diplomacia americana: Zbigniew Brzezinski

‘Brilhante, dedicado e leal’, afirma Jimmy Carter sobre conselheiro nascido na Polônia

O Estado de S.Paulo

27 Maio 2017 | 08h01
Atualizado 27 Maio 2017 | 17h30

WASHINGTON - Zbigniew Brzezinski era “questionador, inovador e uma escolha natural para ser o conselheiro de segurança”, nas palavras do ex-presidente americano Jimmy Carter. Morto na noite de sexta-feira 26, aos 89 anos, o polonês que aconselhou a Casa Branca em inúmeras ocasiões foi elogiado por Carter em uma nota de pesar divulgada no mesmo dia.

Nascido em 28 de março de 1928 em Varsóvia, Brzezinski foi um dos pilares da diplomacia dos EUA e ajudou a moldar a conduta do governo americano em momentos como a negociação do acordo de Camp David entre Egito e Israel, assinado em 1978.

Filho mais velho do diplomata polonês Tadeus Brzezinski, Zbigniew estudou em escolas católicas durante os períodos em que seu pai foi designado para trabalhar na França e na Alemanha. Em 1938, a família se mudou para Montreal. Seis anos depois, quando os comunistas tomaram o poder na Polônia, Tadeus se aposentou e foi viver com a família em uma fazenda no interior canadense. 

O início da carreira diplomática de Zbigniew foi na Universidade McGill, onde se graduou em economia e ciência política. Mais tarde, em Harvard, doutorou-se em administração pública e conseguiu um contrato para publicar sua tese sobre os expurgos soviéticos. 

Nos anos 1960, foi um defensor da presença americana no Vietnã, argumentando que se os EUA não firmassem sua posição na guerra países comunistas como a China se veriam fortalecidos e tentariam expandir sua influência. 

Tendo atuado como consultor do presidente John Kennedy, Brzezinski foi nomeado por Lyndon Johnson para um cargo no Conselho de Planejamento do Departamento de Estado. Em 1977, quando Carter foi eleito, transformou o polonês em um de seus principais conselheiros. “Era brilhante, dedicado e leal”, afirmou ontem o ex-presidente americano. 

Além da mediação da negociação entre Egito e Israel, Brzezinski atuou em casos como as conversas que levaram à normalização das relações entre EUA e China, no diálogo pelo tratado Salt II sobre armas nucleares entre Washington e Moscou e na devolução do controle do Canal do Panamá ao governo panamenho. Mesmo fora do governo, Brzezinski ainda foi chamado por diversos presidentes para conselhos informais. / AP

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