Falando como presidente, Obama condena atentados na Índia

Presidente eleito promete que EUA irão destruir redes terroristas e reforçar laços com governo indiano

Agências internacionais,

27 de novembro de 2008 | 15h46

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou na noite de quarta-feira, 26, os atentados que ocorreram em Mumbai, na Índia. Apesar de assumir a Casa Branca apenas em 20 de janeiro e ter insistido desde as eleições que deve haver "um presidente de cada vez" nos EUA, Obama prometeu em comunicado que seu país irá destruir redes terroristas e reforçar os laços com a Índia.   Veja também: Exército indiano diz que terroristas podem ser paquistaneses Polícia liberta reféns de um dos hotéis na Índia Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Não há vítimas brasileiras em ataques na Índia, diz Consulado Ligação da Al-Qaeda com ataques na Índia é improvável Guterman: na prática, Obama já age como presidente  Cobertura completa das eleições nos EUA   "Esses ataques coordenados contra inocentes civis demonstram a gravidade e a urgência da ameaça terrorista", disse o porta-voz de Obama para segurança nacional, Brooke Anderson. "O presidente eleito Barack Obama condena com veemência os ataques terroristas em Mumbai, e suas preces estão com as vítimas, suas famílias e o povo da Índia."   O atual presidente dos EUA, George W. Bush, também se manifestou. Segundo a Casa Branca, ele telefonou se solidarizando com as vítimas e oferecendo ajuda ao primeiro-ministro Manmohan Singh. Os atentados realizados por extremistas armados do grupo Deccan Mujahedeen deixaram até agora 125 mortos e 327 feridos, segundo a rede CNN.   Como presidente   Argumentando que "não há um minuto a perder", Obama agiu com uma diligência rara para um presidente eleito nesta semana, ao apontar nomes para a equipe econômica e delinear um ambicioso plano de gastos para reativar a economia.   Também é pouco usual o nível de cooperação entre a equipe de Obama e a administração do presidente George W. Bush. O atual líder pode estar sem a maior parte de seus poderes, em fim de mandato, porém ainda toma decisões significativas para animar Wall Street. "Nós estamos trabalhando lado a lado com eles", disse a porta-voz da Casa Branca Dana Perino na terça-feira, após o presidente informar Obama sobre sua intenção de socorrer o gigante de serviços financeiros em dificuldades Citigroup.   Obama pode dar margem a comparações com o presidente Franklin D. Roosevelt, que assumiu em 1933 e recusou a oferta de uma resposta conjunta à Grande Depressão com seu predecessor já quase sem poder, Herbert Hoover. Mas enquanto a intenção de Roosevelt era chegar à Casa Branca para começar do zero, Obama não tem esse luxo em uma era de mídia 24 horas por dia, na qual fortunas são ganhas e evaporam ao toque de uma tecla do computador.   "Tudo isso significa que Obama deve agir como um presidente antes de ser oficialmente presidente, e que isso inclui a coordenação com Bush", afirma Julian Zelizer, professor da Universidade Princeton especializado na história dos presidentes dos Estados Unidos. Zelizer aponta que é "raro" ter um presidente eleito tomando a frente da agenda pública tão cedo. Ele aponta que a proeminência de Obama se deve a vários fatores.   "O primeiro é que estamos em uma grande crise econômica, que é parte da instabilidade global e em que há potencial para a crise crescer em escala e abrangência a cada dia", avalia o historiador. "O segundo é que você tem um presidente no cargo que é muito fraco politicamente e está diante de um Congresso dominado pelos democratas. Ele não se moveu muito agressivamente em relação à economia, e quando ele fez isso tem limites ao que pode fazer", concluiu o professor.  

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