Fidel chama McCain de 'instrumento' de cubanos em Miami

Em novo artigo, líder cubano diz que pré-candidato republicano favorito não tem educação política

Efe,

13 de fevereiro de 2008 | 13h39

O presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmou nesta quarta-feira, 13, que John McCain, aspirante a candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, é um "instrumento da máfia" por ter se encontrado com cubanos em Miami.  Veja também:Obama vence 3 primárias e agrava crise na campanha de HillarySubdiretor da campanha de Hillary se demiteCarisma de senador provoca "Obamamania" Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  No terceiro artigo consecutivo com ataques ao político americano, publicado na imprensa cubana, todos oficiais, Fidel repudia uma homenagem de seus compatriotas de Miami a McCain e diz a ele que "ninguém que valoriza a si próprio comete uma falta de ética tão grave". "É incrível que a esta altura o candidato republicano, com honras de herói, se torne instrumento dessa máfia", afirma Fidel, vítima há 19 meses de uma doença que o obrigou a ceder temporariamente as funções de governo a seu irmão Raúl. "Ali (em Miami) moraram e se instalaram com suas famílias a maioria dos mais inflamados inimigos da Revolução Cubana, que foram os batistianos, os grandes fazendeiros e milionários que tiranizaram e saquearam nosso povo", diz Fidel. "O governo dos EUA - acrescenta - os utilizou em seu desejo de reunir invasores e terroristas que ao longo de quase 50 anos ensangüentaram nosso país. Em seguida vieram a imigração ilegal, a Lei de Ajuste Cubano e o brutal embargo imposto ao povo de Cuba". "O que os latino-americanos poderão esperar de tais conselheiros?", pergunta Fidel, antes de enumerar ações recentes de McCain contra o governo cubano. Fidel cita uma declaração de McCain em referência aos aviões que invadiram o espaço aéreo cubano e foram derrubados pela Força Aérea do país em 24 de fevereiro de 1996. O aspirante republicano declarou: "Se eu fosse presidente dos Estados Unidos, ordenaria uma investigação da derrubada desses bravos homens que foram assassinados sob ordens de Fidel e Raúl Castro, e processaria os dois", lembra o artigo. "Em outra de suas declarações - acrescenta - afirmou que 'quando houvesse liberdade em Cuba, ele gostaria de enfrentar os cubanos que torturaram alguns de seus companheiros durante a Guerra do Vietnã'. Que audácia a do obsessivo candidato!", segue Fidel. O líder cubano acusa McCain de não ter nenhuma educação política e reproduz em seguida dezenas de parágrafos de um livro de memórias do candidato, com breves comentários intercalados como "destila ódio aos vietnamitas. Estava disposto a exterminar todos". No final do extenso artigo, Fidel anuncia que não será o último da série sobre McCain e comenta: "a única lamentável confusão - e não foi a intenção de algumas agências que transmitiram a primeira reflexão sobre o tema (esclarece Fidel)- é de que eu teria pedido provas das acusações de McCain sobre cubanos torturadores no Vietnã. Não se pode provar o que nunca ocorreu. Pedi ética".

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