Filas e falhas em urnas eletrônicas marcam eleição nos EUA

País espera comparecimento recorde na escolha do sucessor de Bush; votação começa a fechar a partir das 21h

Agências internacionais,

04 de novembro de 2008 | 16h23

  Foto: AP   WASHINGTON - Pelo menos 130 milhões de americanos devem participar da escolha do sucessor de George W. Bush nesta terça-feira, 4, um número recorde para as eleições americanas. Se a estimativa de comparecimento de eleitores se confirmar, será superado o recorde de 2004, quando 126 milhões de americanos, ou 64% do total, votaram para presidente (o voto nos EUA não é obrigatório). Aconteceram alguns problemas, como urnas eletrônicas quebradas, papel emperrado nas impressoras de comprovantes de votação e grandes filas. Segundo previsões, os primeiros resultados preliminares poderiam começar a ser divulgados a partir das 21h (meia-noite desta terça, no horário de Brasília), quando tiverem fechado boa parte dos centros de votação no litoral leste do país.   Veja também: Galeria com imagens do dia de votação nos EUA  Obama vota acompanhado de Michelle em Chicago Obama pode aproximar Brasil e EUA, diz ministro Democratas organizam festa da vitória na Europa Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Perto de 50% dos que comparecerão às urnas nesta terça-feira votarão sob um novo sistema - que para alguns pode confundir as pessoas. Há verdadeiros exércitos de advogados dos dois maiores partidos para monitorar os locais de votação, em busca de alguma eventual fraude ou intimidação. Aconteceram alguns problemas, como urnas eletrônicas quebradas, papel emperrado nas impressoras de comprovantes de votação e grandes filas. Segundo funcionários que trabalham nas eleições, não houve até agora nenhum problema sistêmico ou maior e os contratempos parecem se relacionar mais ao grande número de pessoas que foi votar e usar um sistema que foi concebido para um número menor de participantes (o voto é facultativo nos EUA). Existem sete mil seções eleitorais no país.   Em Nova Jersey, eleitores tiveram que usar cédulas de papel porque urnas eletrônicas quebraram em algumas seções. Em Nova York, os eleitores enfrentaram longas filas para votar, disse a porta-voz do Conselho Eleitoral, Valerie Vázquez-Rivera. Segundo ela, as pessoas começaram a chegar às seções com antecedência, às 4h da madrugada (a abertura foi às 6h), para evitar filas, o que levou a relatos falsos de que alguns locais de votação não foram abertos no horário previsto.   John Ritch, trabalhador eleitoral em Chappaqua, Estado de Nova York, disse: "Às 7h30 desta manhã, já tínhamos tanta gente esperando para votar quanto tivemos ao meio dia do dia das eleições de 2004". Na Pensilvânia, o governador Ed Rendell instou os eleitores a votarem. Em Allentown, mais de 160 pessoas formavam fila em frente à igreja Presbiteriana.   Na Virgínia, onde um candidato democrata não vence desde 1964, as impressoras travaram em muitas seções eleitorais e urnas eletrônicas também enguiçaram. Em Richmond, uma seção eleitoral em uma biblioteca não foi aberta no horário porque o cidadão que deveria trazer as chaves não conseguiu acordar na hora. Ohio, Estado onde ocorreram enormes problemas nas eleições de 2004, registrou desta vez, até agora, alguns contratempos, como travamento de impressoras no condado de Franklin. "Estamos resolvendo problemas desse tipo", disse Ben Piscitelli, porta-voz do Conselho Eleitoral local. "Mas não ocorre nada maior ou sistêmico".   Após meses de campanha, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain se enfrentam nas urnas para decidir quem assumirá o país em um momento histórico. A recuperação econômica, uma saída para as guerras do Afeganistão e do Iraque e assuntos internos como a reforma da educação e saúde pública serão alguns dos desafios do novo presidente, que chega após oito anos do impopular governo de Bush, um republicano. A maioria das pesquisas de opinião dá ao democrata uma vantagem de entre seis a oito pontos percentuais. No entanto, a eleição presidencial americana não se decide pela soma total dos votos populares, mas pela representação de cada um dos 50 Estados no Colégio Eleitoral, em proporção à população de cada um deles, somando um total de 538 delegados.   Para ganhar a Casa Branca, um candidato deve ter no mínimo 270 votos no Colégio Eleitoral. As diversas pesquisas de opinião também atribuem ao candidato democrata uma vantagem substancial sobre o republicano nos votos do Colégio Eleitoral, mas mostram um grupo de Estados ainda indecisos.   Obama, de 47 anos, senador em primeiro mandato por Illinois, pode se tornar o primeiro presidente negro dos EUA. McCain, de 72 anos, espera se tornar o americano mais velho a assumir um primeiro mandato de presidente. Sua companheira de chapa, Sarah Palin, pode se tornar a primeira mulher vice-presidente.   Na reta final da campanha, o democrata se concentrou nos Estados de Colorado e Novo México, que votaram nos republicanos em 2004. Ele precisa vencer nesses locais se não tiver conseguido conquistar nenhum reduto republicano até então. Já McCain precisa vencer nos redutos democratas de Michigan, Minnesota e Wisconsin se estiver perdendo Estados que normalmente são republicanos e se não tiver conquistado a Pensilvânia. Os primeiros Estados a encerrar a votação serão Indiana, Kentucky e New Hampshire, às 21h (horário de Brasília). No Alasca, algumas urnas ficarão abertas até as 4h de quarta-feira, no horário de Brasília. Depois do Alasca, os últimos Estados a fecharem as urnas serão Dakota do Norte, Califórnia, Idaho, Washington (Estado) e Havaí, que devem encerrar o pleito às 2h (no horário de Brasília) de quarta-feira.   Campanha continua   McCain, depois de votar em Phoenix, Arizona, deve realizar atos eleitorais em Grand Junction, no Estado do Colorado, e em Albuquerque, no Novo México. Ao anoitecer, McCain retornará a Phoenix, onde aguardará os resultados das eleições presidenciais junto com sua companheira de chapa, Sarah Palin. Obama, após votar em Illinois, Chicago, visitará Indianápolis, em Indiana, para um ato público, e voltará a sua cidade, onde observará a evolução da votação. Sarah Palin votará na cidade de Wasilla, em seu Estado, no Alasca, e depois viajará para o Arizona, enquanto Joe Biden, candidato democrata à vice-presidência, votará em Delaware e visitará os eleitores na Virgínia. Além destes atos eleitorais, durante todo o dia a imprensa continua colocando anúncios das campanhas em uma tentativa de influenciar o voto dos que ainda continuam indecisos.   Fator surpresa   Embora as pesquisas apontem o favoritismo de Obama, muitos fatores poderiam explicar uma surpresa republicana nesta terça-feira. Entre eles está o fato de Obama ser negro e se isso influenciará os eleitores; se os milhares de novos eleitores registrados irão de fato comparecer às urnas e o "efeito Palin" - se a vice de McCain vai empolgar ou afastar o eleitorado.   Neste terça, McCain não parecia intimidado e acreditava que poderia vencer as eleições. Ele reconheceu que é o "azarão" na disputa, mas afirmou que sua longa tentativa de chegar à Presidência - ele foi pré-candidato republicano em 2000 - está próxima da vitória. "Eu acredito que esses Estados cruciais já fecharam (pela candidatura republicana), quase todos eles", disse McCain no Arizona, seu Estado natal. "Você não pode imaginar o que é para um indivíduo estar próximo ao cargo mais importante do mundo, nunca esquecerei isso enquanto viver."   Em Chicago, Obama juntou-se aos primeiros eleitores que foram às urnas nesta terça. Ele votou com a esposa Michelle e suas duas filhas, Natasha e Maíla, em uma escola. "A jornada chegou ao fim, mas foi algo grandioso votar com minhas filhas", afirmou o democrata após votar.   (Com The New York Times e BBC Brasil)   Matéria atualizada às 18h30.

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