Fim do subsídio ao etanol de milho é retórica de McCain

Especialistas apontam que a proposta do republicano não passaria pelo Congresso americano

Talita Eredia e Luiz Raatz, estadao.com.br

04 de novembro de 2008 | 10h55

Apesar de o senador republicano John McCain ser a favor da redução das barreiras dos EUA à importação de etanol brasileiro, como medida para tentar reverter a dependência energética americana do petróleo, a proposta não passaria de retórica de campanha, segundo apontam analistas. Isso porque, se confirmada a tendência de vitória do Partido Democrata no Congresso americano, a proposta seria vetada. Para o ex-embaixador em Washington e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa, os americanos só mudarão de posição quando o interesse do país justificar a medida, ou seja, deve existir a necessidade de importar o produto. O candidato democrata, Barack Obama, conta com o apoio da indústria do etanol produzido a partir do milho – considerado ineficiente por muitos em comparação ao álcool da cana-de-açúcar -, e defende as altas tarifas para a importação e o investimento no desenvolvimento do biocombustível nos EUA. John McCain promete eliminar os subsídios para o etanol (hoje R$ 0,27 por litro), e investir em energia nuclear, construindo 45 novas usinas alem das 104 existentes. Em um dos debates presidenciais, McCain afirmou que o fim do subsídio à produção do etanol dos EUA traria como resultado "bilhões de dólares" em economia para os contribuintes americanos, preocupados com a crise no país. Para o professor Rubih Nasser, professor de Direito Internacional da Escola de Direito da FGV-SP, a proposta de Obama é incompatível com o desejo do país de reduzir a dependência do petróleo. "Uma vez no poder, ele pode se dar conta de que (a importação do etanol) é uma maneira de alcançar um de seus objetivos. Não vai ser rápido e nem nos primeiros anos, mas talvez ele se convença de que isso seja bom para os EUA". O cientista político americano Michael Shifter, diretor do InterAmerican Dialogue, afirma que o etanol ainda é uma questão que será muito difícil para Obama mudar de idéia. "É uma questão muito importante para o Partido Democrata e faz parte de sua base política. Ele pode mudar de idéia quanto ao livre comércio, mas não vai mudar de idéia sobre isso", afirmou. O ex-embaixador Rubens Barbosa lembra ainda que o Congresso é responsável pelo tom da política comercial americana, de ânimo protecionista. "Não adianta o McCain dizer que vai eliminar as restrições ao etanol. Isso não vai acontecer, isso é discurso de campanha. Hoje, os dois partidos são protecionistas. E com a crise que estamos vivendo, com o desemprego e recessão, ninguém vai abrir a economia americana. Talvez ela seja até mais restritiva por causa da situação econômica interna nos EUA", aponta.

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