Forte participação em eleições antecipadas favorece Obama

Dados preliminares mostram que grande parte dos eleitores de 30 Estados se registrou como democrata

Efe,

24 de outubro de 2008 | 17h20

Os republicanos não param de receber más notícias durante a campanha eleitoral à Presidência dos Estados Unidos, e descobrem, agora, que o voto por antecipação realizado em cerca de 30 Estados americanos favorece o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama. Os dados preliminares mostram que grande parte dos eleitores mais precavidos se registrou como democrata, o que ratifica os resultados da maioria das pesquisas, nas quais Obama e seus correligionários aparecem na frente para o pleito presidencial e legislativo de 4 de novembro.   A tendência reverte o que houve em ciclos eleitorais anteriores, quando os republicanos receberam a maioria dos votos por antecipação. Neste ano, os democratas são os que mais vão votar em alguns dos 12 Estados que devem decidir as eleições, como Ohio, Carolina do Norte, Nevada e Novo México.   Veja também: Participação nas eleições antecipadas pode atingir 30% The New York Times anuncia apoio a Obama Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Na Flórida, os republicanos afirmam ter vantagem no voto por correio, embora na votação feita pessoalmente os democratas os superem. No Colorado, os dois partidos estão praticamente empatados. Os números divulgados no meio da semana pelas autoridades estaduais, que só contarão os votos em 4 de novembro, mas que podem revelar a afiliação dos eleitores, indicam, por exemplo, que os democratas superam os republicanos na base de dois para um na Carolina do Norte, um estado que votou nos republicanos em 2004.   Em Ohio, o estado que deu vitória ao presidente George W. Bush em 2004, ocorre algo parecido. Assim, os dados do condado de Hamilton, um dos conquistados por Bush há quatro anos, indicam que três em cada cinco eleitores são democratas.   Os democratas não poupam esforços para mobilizar o mais rápido possível eleitores que se inclinam este ano por seu programa e têm a esperança de mudar o mapa político de um país que esteve dominado pelos republicanos em 27 dos últimos 39 anos. "Não esperem até 4 de novembro", disse Obama na segunda-feira em um ato na Flórida, que começou a votar por antecipação nesse dia.   "Seu carro pode quebrar, pode ocorrer alguma emergência, talvez o despertador não toque. Aproveitem a votação por antecipação", acrescentou o democrata. O voto por antecipação remonta à Guerra Civil americana, quando foi instaurado o sistema para permitir que os soldados enviassem os sufrágios pelo correio.   Filas   A popularidade dessa opção foi aumentando nos últimos ciclos eleitorais em diferentes estados do país, que buscam evitar as longas filas do dia das eleições ou problemas inesperados com as urnas para votar. Em Ohio, por exemplo, houve filas de várias horas em 2004, o que levou milhares de eleitores a desistir da tentativa.   Segundo os democratas, os problemas tiveram um papel determinante na derrota de Kerry, que perdeu no estado por apenas 120 mil votos. "Calculamos que entre 20 mil e 30 mil pessoas tenham escolhido não votar no Condado de Franklin, que inclui a cidade predominantemente democrata de Columbus", afirmou esta semana à CNN Ted Allen, professor da Universidade Estadual de Ohio.   Espera-se que cerca de 30% dos eleitores votem por antecipação este ano, contra 20% de 2004 e 15% de 2000. "A votação por antecipação diminuirá o impacto de qualquer acontecimento de última hora que possa salvar a candidatura do (republicano John) McCain", destacou Charlie Cook, um conhecido analista político americano, em uma coluna esta semana na revista National Journal.   Os analistas apontam ainda que o voto em massa por antecipação poderia permitir um recorde de participação este ano nos Estados Unidos, um dos países com uma taxa mais baixa de assistência entre as nações desenvolvidas.   O recorde nas eleições presidenciais modernas dos EUA ocorreu em 1960, nas quais o jovem e carismático senador democrata John F. Kennedy concorreu e ganhou de Richard Nixon. Em 2004, a participação superou ligeiramente os 60%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.