Giuliani deve deixar a corrida presidencial e apoiar McCain

Apoio do ex-prefeito de NY pode ajudar McCain em estados como a Califórnia na superterça, no dia 5

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2008 | 03h52

Rudolph Giuliani, o pré-candidato republicano que apostou todas as suas fichas nas primárias da Flórida mas só conseguiu a terceira colocação no Estado, prepara-se para deixar a corrida presidencial e apoiar o senador John McCain. Segundo um membro do partido, ele vai declarar oficialmente seu apoio ao pré-candidato John McCain nesta quarta-feira, 30, na Califórnia.   Veja também: McCain vence na Flórida e se fortalece na disputa republicana Hillary vence primária democrata na Flórida Giuliani atrai mais imprensa do que eleitores Cobertura completa das eleições nos EUA Especial eleições americanas   O ex-prefeito de Nova York não chegou a anunciar a decisão, mas fez um discurso que mais parecia de despedida do que luta pela nomeação do partido. "A responsabilidade da liderança não acaba com uma simples campanha, ela continua e você prossegue para lutar por ela", disse Giuliani. Perguntado diretamente se estava desistindo da corrida presidencial, ele disse apenas: "Estou indo para a Califórnia".   Giuliani recebeu apenas 15% dos votos nas primárias republicanas da Flórida, o que o colocou no terceiro lugar, atrás de John McCain, com 36%, e Mitt Romney, com 31%.   O ex-prefeito de Nova York tinha centrado sua campanha em uma vitória na Flórida, e sua derrota, após gastar cerca de US$ 35 milhões na campanha eleitoral, o deixa praticamente sem possibilidades de lutar na "superterça" da próxima semana.   Porta-vozes do Partido Republicano - que pediram para não ser identificados - disseram que o ex-prefeito apoiaria McCain na Califórnia, onde os pré-candidatos presidenciais dessa legenda participarão de um debate na biblioteca Ronald Reagan.   McCain aproveitou seu discurso da vitória na Flórida para louvar a campanha de Giuliani. No último debate na televisão dos republicanos, na semana passada, em Boca Raton (Flórida), McCain qualificou Giuliani como "herói", e louvou sua gestão como prefeito de Nova York.   As posições moderadas de Giuliani podem ajudar McCain em estados como a Califórnia na superterça da próxima semana, com primárias em 22 estados.   Vitória de McCain   O senador pelo Arizona John McCain venceu as primárias republicanas na Flórida, superando o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, segundo projeção das TVs americanas com base em resultados parciais. O triunfo dá a McCain um grande impulso para a Superterça, dia 5 - quando serão realizadas primárias republicanas em 21 Estados -, principalmente porque mostra que ele tem apelo também na base do partido e não depende somente dos eleitores independentes.   Durante a campanha na Flórida, McCain apostou em suas credenciais de política externa para conquistar eleitores no Estado, que tem forte presença militar. Daqui para a frente, o senador também contará com a vantagem de ser percebido pelos eleitores republicanos como o mais "elegível", ou seja, o único candidato do partido que conseguiria derrotar a senadora democrata Hillary Clinton nas eleições de novembro.   Já Mitt Romney ressaltou na campanha a sua experiência empresarial e se apresentou como o melhor candidato para tirar os EUA da crise econômica. O ex-governador deve continuar a usar suas habilidades como administrador para ganhar votos na Superterça, dia 5.   Os dois passaram o dia trocando acusações. McCain voltou a acusar Romney de defender um cronograma para a retirada de tropas do Iraque. Romney, por sua vez, criticou a falta de conhecimentos de McCain sobre economia.   O jogo duro da campanha se justifica. As primárias da Flórida dão ao vencedor todos os 57 delegados em jogo. Até a terça-feira, o líder da corrida republicana era Romney, com 74 delegados. Mas McCain, com seu triunfo na Flórida, assumiu a liderança, com 97.   Para McCain, a Flórida significou seu maior teste até agora, já que o Estado foi o primeiro a realizar prévias fechadas, ou seja sem a participação de eleitores independentes, que deram a ele a vitória em New Hampshire e na Carolina do Sul.   Democratas   Na Flórida também foram realizadas ontem primárias democratas, mas, assim como ocorreu em Michigan, seu resultado não tem validade - o diretório nacional do partido resolveu desconsiderá-lo como punição à direção estadual por esta ter antecipado a data das prévias.   Os candidatos democratas comprometeram-se então a não fazer campanha no Estado. De qualquer forma, a senadora Hillary Clinton foi a mais votada. Apurados 79% dos votos democratas, ela estava com 50%, seguida pelo senador Barack Obama (com 33%) e pelo ex-senador John Edwards (com 14%).   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)   Matéria ampliada às 8h30.

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