Governador da Virgínia lidera apostas para ser vice de Obama

Rumores ganham força após jornais revelarem que Tim Kaine mantém 'conversas sérias' com democrata

Efe,

30 de julho de 2008 | 18h19

O governador da Virgínia, Tim Kaine, está no centro das atenções nos Estados Unidos, diante dos rumores de que pode se transformar no vice na chapa do candidato democrata à Presidência americana, Barack Obama, uma possibilidade que causa reações diversas. O nome de Kaine está há tempos na lista de potenciais vice-presidentes, mas não tinha ganhado força até esta semana, quando jornais como o Washington Post revelaram que mantêm conversas "muito sérias" com a campanha de Obama.   Veja também: Comercial de McCain compara Obama a Britney e Paris Hilton Possíveis vice-candidatos para Obama   Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    As notícias originaram uma minuciosa apuração da figura de Kaine, o primeiro governador democrata que expressou apoio a Obama, em fevereiro do ano passado, pouco depois que o senador por Illinois anunciou sua decisão de concorrer pela Casa Branca.   Ambos têm uma visível simpatia pessoal, um fator-chave para Obama, que disse que o mais importante para ele na hora de escolher seu "companheiro" político é que haja química.   "Obama está em uma categoria completamente distinta à de qualquer pessoa com quem compartilhei um palco", disse um entusiasmado Kaine em janeiro. "O público projeta suas esperanças nele de uma forma que é simplesmente incrível, incrível", acrescentou.   À química se une o fato de que os dois são formados na Universidade de Direito de Harvard, advogados interessados nos direitos civis e novatos na política americana: Kaine é só três anos mais velho que Obama (46 anos) e está apenas há dois anos e meio como governador.   Os analistas destacam, entre suas vantagens, a popularidade que tem entre os eleitores religiosos - é um devoto católico - e o que pode ajudar Obama a ganhar na Virgínia, que votou nos republicanos em 13 das últimas 14 eleições presidenciais.   Além disso, fala espanhol, um fator positivo em um ano eleitoral como este no qual o voto latino desponta como crucial, dada a elevada concentração de hispânicos em Estados chave como Flórida, Novo México, Colorado e Nevada.   Seu ponto fraco é que, da mesma forma que Obama, tem pouca experiência em política internacional e nacional. Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virgínia, lembra que "não há uma maior ameaça para a vitória de Obama que sua falta de experiência."   "Os americanos têm dificuldades, pelo menos por enquanto, para ver Obama no papel de comandante-em-chefe (título que controla o presidente dos EUA)", diz Sabato no site RealClearPolitics. Aí residiria a importância de escolher um vice-presidente com experiência internacional ou militar, o que, para Sabato, ajudaria a afugentar os temores sobre a pouca experiência de Obama.   Richard Parker, professor da Universidade de Harvard, explicou à Agência Efe que o senador de Indiana Evan Bayh ou o também senador Joe Biden poderiam ser um melhor companheiro de chapa, por terem a bagagem que falta a Obama.   Fred Greenstein, professor emérito da Universidade de Princeton, recomenda encarar com certo ceticismo o furor gerado pela possível escolha de Kaine.   "Obama, como qualquer outro candidato presidencial, utilizará o processo de seleção de um parceiro político para levar à luz nomes de personagens públicos aos quais quer agradar ao indicar que os considera competentes para ser vice-presidentes", disse Greenstein à Efe.   Em sua opinião, o candidato democrata adiará a decisão até pouco antes da convenção do partido realizada no final de agosto em Denver, no Colarado.   Os analistas parecem coincidir em que o nome da senadora Hillary Clinton continuará sendo cogitado, mas que sua escolha não se concretizará, e recomendam acompanhar a governadora de Arkansas Kathleen Sebelius, que também aparece nas apostas.

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