Johannes Eisele/AFP
Johannes Eisele/AFP

Governo anuncia cobrança de pedágio para veículos em Manhattan

A medida valerá para os acessos à parte sul da região e tem como objetivo injetar dinheiro no metrô da cidade

EFE, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 03h08

NOVA YORK - A aprovação de uma cobrança de pedágio dentro da cidade de Nova York a partir de 2021 gerou inúmeras críticas entre motoristas da cidade. A medida vale para os acessos à àrea sul da região de Manhattan.

A iniciativa fora inicialmente proposta em 2008 pelo então prefeito da cidade, Michael Bloomberg. Contudo, enfrentou oposição na Câmara do estado e sequer foi votada.

A ideia do pedágio na cidade ressurgiu com força na administração do atual governador do estado, Andrew Cuomo, como alternativa para diminuir o trânsito em uma região sempre cheia de ônibus, caminhões, táxis, carros de moradores e de turistas. O objetivo, desta vez, é injetar dinheiro no metrô da cidade.

O apoio para esta proposta polêmica foi uma grande vitória. Isso porque, principalmente durante a campanha eleitoral, Cuomo foi duramente criticado pela maneira como abordou os problemas com o metrô, administrado pela Autoridade Metropolitana de Transporte (MTA).

A medida, que quando começar a ser aplicada injetará mais de US$ 1 bilhão no transporte público (80% para o metrô), foi apoiada por grupos como a organização Riders Alliance, que defende os interesses dos usuários do metrô. No entanto, foi rejeitada por alguns nova-iorquinos que terão que administrar o gasto extra.

Um levantamento feito em janeiro pelo Instituto de Pesquisa do Siena College, em Nova York, revelou que 52% da população apoiava a proposta. No entanto, um grupo do distrito de Queens argumentou que as comunidades de classe média não poderão arcar com esta cobrança, que, segundo afirmam, terá um impacto negativo na classe trabalhadora. O pedágio também afetará taxistas, de acordo com a Associação de Motoristas de Carros Alugados e Taxistas (FHV), que considera que essa será uma carga financeira considerável para pequenas empresas que dependem do trânsito livre para manter os custos baixos.

"Isso é um imposto contra as pessoas que simplesmente têm a ousadia de se locomover pela própria cidade", disse o senador republicano Andrew Lanza durante a votação.

Um comitê que Cuomo criou no ano passado sugeriu que o custo seja de US$ 11,52 (R$ 44) para carros e US$ 25,34 (R$ 98) para caminhões. De acordo com o The Wall Street Journal, esta ação servirá como teste para outras cidades americanas que estudam a possibilidade, mas que ainda estão muito longe de colocá-la em prática.

"A experiência de Nova York será um importante precedente para as conversas que estão acontecendo em outras cidades", avaliou ao jornal Corinne Kishner, diretora-executiva da Associação Nacional de Empregados de Transporte.

Ela garantiu que está é uma oportunidade para analisar o preço do congestionamento no país e destacou que outros estados e cidades, especificamente San Francisco e Los Angeles, estão avaliando opções para um sistema parecido.

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