Hillary Clinton agradece aos eleitores e pede apoio para Obama

Senadora democrata por Nova York anuncia que suspende sua campanha à Presidência dos Estados Unidos

Agências internacionais,

07 de junho de 2008 | 13h53

"O meu agradecimento a todos os que votaram em mim, o meu agradecimento e o meu compromisso com vocês, que me causaram orgulho para minha candidatura e para meu país. Mulheres e homens, aos latinos,  todos os americanos, pobres e ricos, gays e heteros, todos os que me apoiaram. Eu vou continuar ao lado de todos e digo que vou continuar essa luta", disse a senadora Hillary Clinton, em seu discurso.  A senadora democrata por Nova York, Hillary Clinton, preparou para este sábado, 7, sua despedida da corrida presidencial à Presidência dos Estados Unidos, após 17 meses de altos e baixos nas primárias do país. Veja também:Ouça a entrevista com o Prof. Williams GonçalvesMaioria dos democratas quer Hillary como viceHillary e Obama discutem 'união' em reunião privadaEdwards afirma que não quer ser vice de ObamaCasal Clinton não perde influência Possíveis vice-candidatos para chapa de ObamaCronologia da disputa entre Hillary e ObamaConheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Assim, a senadora Hillary Clinton deu hoje como oficialmente suspensas suas pretensões de tornar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, em um ato no qual mostrou seu total apoio a Barack Obama e pediu a seus partidários que o apóiem em novembro. Disse que Obama precisa ocupar o cargo de presidente do país. "Lutemos juntos para que Obama seja o próximo presidente deste país", afirmou em um discurso apaixonado, interrompido inúmeras vezes por vigorosos aplausos por cerca de dois mil correligionários. "Agora que suspendo a campanha, quero felicitar Barak Obama e dar-lhe todo meu apoio", disse Hillary, em seu grande ato de despedida no National Building Museum, em Washingto, no qual esteve acompanhada do marido, Bill Clinton, da filha Chelsea e de sua mãe, Dorothy Rodham. Um detalhe importante do discurso de Hillary foi o fato de ela destacar que "suspende essa campanha", uma palavra-chave para permitir que ela continue arrecadando dinheiro para liquidar uma dívida de mais de US$ 30 milhões, e também por ter obtido o apoio de 1.926 delegados, número representativo que lhe dá condições de negociar seu futuro político. Outro destaque importante do discurso da senadora foi o fato de ela usar o bordão de Obama "Yes, we can" (Sim, nós podemos) para defender seus grandes planos de campanha de acabar com a Guerra do Iraque e estender o seguro saúde para todos os americanos Cerca de 35 milhões de pessoas foram às urnas em diferentes ocasiões entre janeiro e junho, o que leva à suposição de que tenha sido a mais alta participação da história das eleições primárias dos dois partidos americanos. Hillary convocou a todos os que votaram nela a colocar sua energia, paixão e esforços para ajudar a eleger Obama. "É preciso apoiar Obama para conquistarmos um Estados Unidos mais forte", disse a senadora, que reforçou seu compromisso de restaurar a unidade do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 4 de novembro. "Quando dizem que você não deve seguir em frente, não ouça. A vida é muito curta, o tempo é muito rápido para pensar no que poderia ter sido feito. Vamos trabalhar pelo que pode ser feito e vamos trabalhar agora para que Barack Obama seja eleito", reafirmou. "Obrigada todos vocês que sempre estiveram comigo nesta campanha, à minha equipe. Nós precisamos escrever o próximo capítulo na história dos Estados Unidos, com uma visão de solidariedade e amor ao país onde vivemos. E essa campanha não é nada comparada aos americanos. Essa é nossa oportunidade para fazer tudo que for possível para termos outro democrata na Casa Branca", disse a ex-primeira dama ao encerrar seu discurso. Hillary reuniu seus partidários e amigos em Washington, no edifício do Museu Nacional, um vasto complexo cultural no coração da capital federal a poucas quarteirões da Casa Branca, após uma longa e acirrada campanha em que começou como favorita e terminou como perdedora diante de um rival pouco conhecido. A ex-primeira dama reconheceu na quarta-feira a vitória do senador por Illinois. Obama fez história na terça-feira ao conseguir, nas últimas primárias, os 2.118 delegados necessários para garantir a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, colocando fim às suas aspirações presidenciais. A campanha No início das primárias, há cinco meses, Hillary era a favorita para conseguir a candidatura presidencial democrata. De fato, a senadora por Nova York conseguiu o apoio de 18 milhões de eleitores, mas, segundo observadores, a crescente popularidade de Obama - novo na arena política americana -, e uma série de erros de cálculo da campanha de Hillary frustraram as aspirações de a ex-primeira-dama se tornar a primeira presidente mulher dos Estados Unidos.  Obama precisará do apoio dos blocos eleitorais que votaram em Hillary durante as primárias para poder derrotar ser adversário, o candidato republicano, John McCain, nas eleições presidenciais de 4 de novembro. Na quinta-feira, Hillary e Obama se reuniram em particular por uma hora na casa da senadora Dianne Feinstein para discutir a futura estratégia da campanha democrata à Casa Branca, mas ainda não foram divulgados os detalhes desse encontro. Fontes próximas à campanha de Hillary revelaram à imprensa esta semana que a ex-primeira-dama reconhecerá sua derrota e dará apoio incondicional a Obama. No entanto, Hillary também poderá continuar a arrecadar dinheiro para saldar sua dívida de US$ 30 milhões. Segundo analistas, o desafio dos democratas agora é sanar as feridas do processo de primárias, no qual Hillary lançou duros ataques a Obama, destacando sua inexperiência no campo internacional. Obama, por sua vez, contra-atacou ao falar sobre a integridade de Hillary e seu apoio à Guerra do Iraque, assunto de grande importância nesta campanha eleitoral.

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