Hillary critica Obama por ligação com pastor de polêmica racista

Senadora tenta ofuscar saia-justa com discurso sobre Bósnia e diz que se afastaria de religioso por declarações

Associated Press e Reuters,

26 de março de 2008 | 11h16

Hillary Clinton, numa tentativa de reduzir a polêmica da sua declaração exagerada sobre sua viagem à Bósnia, afirmou que teria deixado a igreja que o rival Barack Obama freqüenta por conta das críticas do referendo Jeremiah Wright, ex-apoiador do senador, sobre uma América racista. Veja também:Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Os comentários de Hillary, feitos na terça-feira, 25, marcam a retomada de um tema que era deixado de lado por sua campanha até agora. Alguns democratas vêem a recusa de Obama em desligar sua imagem à igreja de Chicago como um difícil desafio para sua campanha. O referendo Jeremiah Wright, que se aposentou recentemente, disse certa vez que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram uma vingança contra a política externa dos EUA. Em outra ocasião, afirmou que o governo norte-americano é a fonte do vírus da Aids, e se manifestou contra o suposto racismo generalizado da sociedade.  A controvérsia reaparece nesta semana para tentar ofuscar a polêmica declaração sobre a afirmação de que desembarcou na Bósnia sob a mira de franco-atiradores. A ex-primeira-dama afirmou que "se expressou mal". "Acredito que foi um pequeno lapso", disse Hillary. Na semana passada, no entanto, numa tentativa de demonstrar que tem coragem para governar o país e boas credenciais em política externa, ela afirmou que correu risco de morrer numa viagem à Bósnia, em 1996.  A campanha do senador Barack Obama, adversário de Hillary, não deixou escapar a oportunidade de criticar a senadora. Segundo assessores de Obama, o episódio seria outra mentira que desqualificaria Hillary para o cargo de presidente. "Ao afirmar algo que não é verídico, você não está se expressando mal, está mentindo", afirmou Tomy Vietor, porta-voz de Obama. "Esse tipo de atitude faz parte de uma série de erros de Hillary em política externa." Ao justificar seu equívoco aos jornalistas, Hillary aproveitou para criticar os sermões de Wright. "Acredito que diante de tudo o que vimos e ouvimos, ele não seria o meu pastor".  O pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama chegou a fazer anteriormente um discurso sobre temas raciais, em que criticou um pastor ao qual foi ligado, mas disse que não pode se desassociar dele. Não posso me dissociar dele da mesma forma que não posso me dissociar da comunidade negra", disse Obama, que pretende se tornar o primeiro presidente negro dos EUA.  "Não temos escolha quando se refere aos nossos familiares", Hillary afirmou. "Nós temos escolha quando a questão se refere aos pastores e igrejas que freqüentamos.". O porta-voz de Obama Bill Burton declarou em nota que "é desanimador ver a campanha de Hillary se afundar tão baixo nos esforços para distrair a atenção" das declarações exageradas sobre a Bósnia.

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