Hillary diz que EUA poderiam 'destruir totalmente' o Irã

Em dia de prévia decisiva, pré-candidata diz que estará preparada para impedir qualquer ataque contra Israel

Reuters,

22 de abril de 2008 | 14h28

A pré-candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, advertiu os iranianos nesta terça-feira, 22, de que, se vencer a eleição, o governo dela poderia "destruir totalmente" o Irã em retaliação a um eventual ataque nuclear contra Israel. No dia da decisiva prévia na Pensilvânia, mais uma etapa da corrida na qual Hillary disputa com Barack Obama a vaga da legenda no pleito presidencial, a senadora pelo Estado de Nova York afirmou querer deixar claro ao governo iraniano que ela estava preparada para, como presidente, fazer uma ameaça do tipo na esperança de que isso impeça qualquer ataque nuclear do Irã contra o Estado judaico.  Veja também:Prévia na Pensilvânia pode decidir disputa democrata Mundo da luta convida presidenciáveis ao ringue Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA   "Quero que os iranianos saibam que, se eu for eleita presidente, nós atacaremos o Irã (no caso de este atacar Israel)", afirmou Hillary em uma entrevista ao programa Good Morning America, da ABC. "Nós próximos dez anos, durante os quais seria tolo da parte deles considerar a possibilidade de atacar Israel, nós seríamos capazes de destruí-los totalmente", disse. "Isso é algo terrível de se dizer, mas as pessoas que comandam o Irã, ao ouvirem isso, talvez desistam de fazer algo impensado, tolo e trágico", afirmou a pré-candidata. Esses comentários parecem mais duros do que os feitos por Hillary uma semana atrás, quando, durante um debate presidencial, prometeu "uma retaliação de grande escala" contra o Irã no caso de um ataque a Israel. Obama, que na terça-feira enfrenta Hillary nas prévias democratas da Pensilvânia, criticou as declarações da adversária. A votação na Pensilvânia pode ajudar a decidir qual dos democratas enfrentará o republicano John McCain nas eleições presidenciais de novembro. "Entre as coisas que vi nos últimos anos, consta um monte de declarações usando palavras como 'destruir"', afirmou Obama, senador pelo Estado do Illinois, em uma outra entrevista concedida ao mesmo canal ABC. "Isso, na verdade, não dá bons resultados. De forma que não estou interessado em ficar brandindo minhas armas.". Obama afirmou que responderia "com energia e rapidez" a um ataque iraniano contra Israel ou qualquer outro aliado norte-americano. O Irã, que o governo dos EUA e seus aliados acusam de tentar desenvolver armas atômicas, vem dando declarações belicistas nos últimos anos em meio a especulações de que suas instalações nucleares poderiam ser alvo de ataques norte-americanos ou israelenses. O governo iraniano nega tentar adquirir armas atômicas e diz que precisa dominar essa tecnologia para gerar eletricidade. De outro lado, há quase um consenso sobre Israel possuir esse tipo de arma. O país, no entanto, não confirma e nem nega a informação. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deixou indignada a comunidade internacional em 2005 ao dizer que "Israel deveria ser varrido do mapa". Uma semana atrás, um importante oficial do Exército iraniano afirmou que seu país "eliminaria" Israel em resposta a qualquer ataque militar do Estado judaico. Os comentários de Hillary aparecem dias antes do segundo turno das eleições parlamentares no Irã, marcado para a sexta-feira. Esse pleito poderia colocar uma bancada de políticos conservadores ainda maior no órgão, o que talvez signifique problemas para Ahmadinejad. O país realiza eleições presidenciais em 2009.

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