Hillary e Obama discordam sobre efeito de disputa prolongada

Segundo especialistas, cada pré-candidato democrata aproveita o melhor argumento político para si

Reuters,

04 de abril de 2008 | 14h43

Dependendo de quem fala, Hillary Clinton deveria desistir da candidatura pelo bem do Partido Democrata ou permanecer na disputa, porque todos os eleitores têm o direito de serem ouvidos. Os dois argumentos, defendidos respectivamente pelos seguidores do senador Barack Obama e de Hillary, citam princípios elevados, inspiram paixões e viram manchetes, mas são apenas política, com pouca base concreta, segundo especialistas.   Veja também: Ex-presidente Jimmy Carter indica apoio a Obama Campanha de Hillary arrecada metade que Obama em março Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA     "Cada um está apresentando o melhor argumento político para si e declarando isso em termos de alguns princípios universais que não existem", disse Sandy Maisel, diretor do Centro Goldfarb para Assuntos Públicos, da Faculdade Colby, do Maine. "O lado dela diz: 'Cada voto conta', e o lado dele diz: 'Acabou, por que ela não admite?'", disse Maisel. "Na verdade, não acabou, e houve muitos casos no passado em que nem todos os votos contaram."   De fato, no sistema norte-americano, várias eleições são decididas sem que muitos eleitores tenham chance de votar, e a história está repleta de exemplos de candidatos que venceram as eleições gerais depois de passarem por primárias acirradas. Além disso, a política muda de forma a qualquer instante. As pesquisas já mostraram a senadora bem à frente, mas agora ela está atrás de Obama na disputa por delegados para a convenção nacional de agosto.   "É a política. Alguma coisa louca pode acontecer amanhã e mudar a dinâmica completamente", disse Kathleen Dolan, cientista política da Universidade de Wisconsin, em Milwaukee. Isso é particularmente válido no caso do confronto Hillary-Obama, segundo Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virginia. A senadora está sendo avaliada há anos, enquanto seu rival é menos conhecido, o que deixa sua candidatura mais suscetível a surpresas. "O ponto de vista dela é que alguma coisa poderia aparecer a respeito de Obama", disse Sábato.   Mas seguidores de Obama dizem que Hillary deveria desistir da disputa porque já praticamente não tem mais chances e o prolongamento da batalha pode beneficiar John McCain, candidato republicano para a eleição de novembro. O próprio Obama, porém, diz que Hillary tem o direito de permanecer na disputa enquanto quiser.   A próxima primária será realizada no dia 22, no Estado da Pensilvânia. As pesquisas indicam vantagem para Hillary, que conta com o apoio de boa parte do eleitorado majoritário no Estado, que é branco e da classe trabalhadora.  

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