Hillary e Obama tentam consolidar candidatura em prévias

Com maior número de delegados, disputa na Carolina do Norte e em Indiana pode reajustar briga interna

Agências internacionais,

06 de maio de 2008 | 07h58

A disputa democrata que acontece nesta terça-feira, 6, na Carolina do Norte e em Indiana tem mais delegados em jogo do que qualquer outra prévia. Por razões políticas, demográficas e matemáticas, as primárias desta terça têm potencial para reajustar a competição entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama.  Disputa entre democratas deve seguir até junho, diz especialista Hillary cita Brasil como exemplo em combustíveisConfira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Esta será uma oportunidade para que Hillary prove que o sentimento democrata está mudando em seu favor, e para Obama consolidar a liderança em número de delegados, de votos populares e vitórias em prévias, além de dar um argumento definitivo para que os líderes democratas pressionem a rival a abandonar a candidatura. Para Obama, esta ainda é uma chance de calar os argumentos da rival, de que ele é um candidato falho para as eleições presidenciais de novembro. A boa notícia é que, depois das disputas desta terça, restarão somente outros seis Estados para votar em todo o país. A má notícia é que, provavelmente, o partido terá que esperar as primárias pendentes antes de anunciar um ganhador. Em Indiana, 72 delegados estão em jogo. Segundo a média das pesquisas do site Real Clear Politics, Hillary tem vantagem de 5 pontos porcentuais no Estado. O eleitorado de Indiana é francamente favorável à senadora: há 83,9% de brancos e só 21,7% concluíram a faculdade. Ela tem bom desempenho em pequenas cidades e no sul do Estado, enquanto Obama vai bem no noroeste, nos arredores de Chicago, sua cidade, e na capital, Indianápolis. Já na Carolina do Norte, que distribui 115 delegados, Obama está na liderança com uma vantagem de 7 pontos. Ele conta com grande apoio dos negros, que são um terço do eleitorado do Estado, mas Hillary vem ganhando terreno entre brancos. Apesar da disputa dura, o Partido Democrata tem o que comemorar: mais de 300 mil eleitores se registraram para votar pela primeira vez em Indiana, a grande maioria democratas. "Essa disputa está energizando os eleitores. Estamos vendo números recorde de gente votando", disse Thomas Cook, porta-voz do Partido Democrata em Indiana. "Estamos construindo uma boa base de voluntários para a disputa contra o candidato republicano."  O Estado raramente tem posição de destaque no período das primárias porque, a esta altura, o indicado normalmente já está definido. Desta vez, Indianápolis foi parada obrigatória para os pré-candidatos. Obama e sua mulher, Michelle, estiveram 30 vezes em Indiana. Hillary, Bill Clinton e sua filha, Chelsea, estiveram 100 vezes no Estado. Se Obama vencer em Indiana, muitos superdelegados devem anunciar seu apoio ao senador e a disputa acaba. Mas, para analistas, o cenário mais provável é que Hillary perca por pouco na Carolina do Norte e vença em Indiana. "Hillary deve explorar essa vitória para dizer que é mais elegível, pois consegue conquistar mais eleitores brancos de classe trabalhadora, parte importante dos democratas", diz Matthew Tully, colunista político do Indianapolis Star. Segundo ele, Hillary usará esse argumento para manter-se na disputa e tentar ganhar a indicação com apoio dos superdelegados.  "Obama parece estar irritado, pois acredita que a disputa pela indicação do partido deveria ter sido resolvida há um mês, mas Hillary teima em continuar concorrendo", diz Tully. Segundo ele, o senador não fez em Indiana o mesmo tipo de campanha "envolvente" que fez em outros Estados. "Não vimos mais o público gritando, gente chorando e desmaiando nos comícios", disse. "Nos outros Estados ele estava batendo. Em Indiana, está apanhando. Ele fica se explicando o tempo todo por causa de Wright e da gafe que cometeu ao dizer que moradores de cidades pequenas são amargos." Já Hillary ganhou novo impulso por causa de seu discurso populista, que vem agradando nas cidades empobrecidas de Indiana. "Não desisto facilmente e vou lutar por vocês em Washington", disse em comício recente. Segundo pesquisas, Hillary é encarada como a mais capaz para lidar com os problemas econômicos do país. Em Indiana, onde grande parte da população trabalha em indústrias decadentes, Hillary falou na criação de empregos em todas as cidades que visitou. Ontem, na Carolina do Norte, ela criticou a dependência americana do petróleo e citou o Brasil como um dos países que buscaram e encontraram uma alternativa - no caso, o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. "Eles (o Brasil) começaram a ver o que podiam fazer e hoje são auto-suficientes em energia", afirmou Hillary. (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e The New York Times)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.