Hillary insiste em continuar duelo contra Obama por nomeação

Batalha por indicação continua, apesar da maioria dos democratas concordar que disputa só traz prejuízos

Adam Nagourney, do The New York Times ,

23 de abril de 2008 | 08h34

A senadora Hillary Clinton derrotou o senador  Barack Obama na Pensilvânia na terça-feira, 22, com vantagem suficiente para continuar a batalha que os democratas, cada vez mais, acreditam que está minando os esforços na união do partido e na preparação das eleições gerais contra o senador republicano John McCain.   'A maré está mudando', diz Hillary após vitória Hillary vence Obama e se mantém na disputa 'Sobrevivência' de Hillary satisfaz campanha de McCain Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  O professor Sean Purdy comenta as primárias democratas    Apesar do forte investimento de tempo e dinheiro de Obama e a pressão para que Hillary considere a possibilidade de abandonar a campanha, ela teve sua terceira grande vitória na disputa. Hillary mostrou mais uma vez que ela é uma pré-candidata tenaz e com habilidade para se alinhar com a classe média, eleitorado que Obama acha evasivo e que pode ser crítico para uma vitória democrata em novembro.   A vantagem de Hillary não foi provavelmente suficiente para fundamentar alguma alteração na dinâmica da disputa interna, que continua mais favorável de uma eventual vitória de Obama. Porém, está claro que a batalha ainda continuará por algumas semanas, ou até por mais tempo. Isto serve para enfatizar as preocupações de Obama caso ele saia como candidato nas eleições gerais. Pesquisas mostram divisões raciais, econômicas, de sexo e valores dentro do partido. Um exemplo dessa divisão é que apenas 60% dos democratas católicos disseram que votariam em Obama nas eleições de novembro; 21% disse que votaria em McCain, apontam as sondagens.   "Isto é exatamente o que eu temo que aconteça", disse o governador do Estado do Tennessee, Phil Bredesen, um democrata que ainda não apoiou nenhum candidato na disputa. "Nós vamos apenas acompanhar um agredindo o outro e ninguém vencerá. Isso ressalta a necessidade de acharmos algum caminho para uma solução".   O Partido Democrata, tão energizado e otimista há alguns meses, se vê numa posição que poucos esperavam: uma batalha pela nomeação sem solução, em que dois candidatos estão engajados numa disputa crescente de ataques destrutivos. Enquanto o partido deveria voltar sua atenção para McCain, ele enfrenta a contínua destruição da imagem de Obama e Hillary. Isso significa que os temores de um confronto com a questão deve ser abandonados logo.   Mesmo com a vitória confortável de terça, Hillary ainda enfrenta dificuldades, certas mas não insuperáveis, para assegurar sua nomeação, o que torna possível que sua candidatura termine em poucas semanas, após as prévias em Indiana e Carolina do Norte no dia 6 de maio. Nesse caso, os democratas teriam tempo e motivação para cicatrizar as feridas. "Temos problemas nos dois lados, mas teremos que curá-los", disse Joe Trippi, conselheiro da campanha presidencial do ex-pré-candidato John Edwards. "Se ele não foi resolvido, teremos problemas".   Obama continua a liderar a disputa contra Hillary no número de votos populares e de delegados. Esses fatores começarão a pesar para os superdelegados, democratas eleitos e líderes do partido cujos votos são necessários para que um dos dois consiga alcançar os 2.025 representantes para a nomeação Além disso, existem algumas preocupações sobre a campanha de Obama depois de semanas de campanha. Ele terá muito trabalho pela frente se ganhar a nomeação, um ponto de acordo até entre seus apoiadores. "Os ataques negativos provocaram pequenos danos", disse o governador do Estado do Novo México, Bill Richardson. "Mas acredito que sejam recuperáveis, até porque o tema fará com que o partido se una". Richardson disse ainda que "os ataques negativos de Hillary também feriram sua candidatura, e as recentes pesquisas mostram isso".   Após a exuberante vitória, Hillary foi rápida em afirmar que seguirá na disputa. Ainda que ela permaneça na briga, isso provavelmente não a ajudará a alcançar dois grandes objetivos: se aproximar do número de delegados e de votos de eleitores de Obama. A estratégia da senadora é esperar que algo aconteça e que possa fazer com que os superdelegados que ainda não endossaram nenhum candidato apóiem sua nomeação.   Hillary não dá sinais de que abandonará a disputa até a convenção de agosto, onde acontece a escolha do candidato, e enquanto ela continuar conquistando vitórias como a da Pensilvânia, os oficiais do Partido serão mais pressionados para determinar a hora em que ela deve desistir.  

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