Hillary pede que seus eleitores não votem em McCain

Ex-rivais lançam a campanha democrata; Obama afirma que precisa do casal Clinton para promover mudanças

Agências internacionais,

27 de junho de 2008 | 15h12

Rivais que se tornaram aliados, Barack Obama e Hillary Clinton fizeram o seu primeiro ato público juntos nesta sexta-feira, 28, na tentativa de unificar o Partido Democrata após a acirrada disputa nas primárias. Diante de 6 mil pessoas, Hillary ressaltou que a Presidência democrata é fundamental para o país e pediu para que seus eleitores não votem no republicano John McCain.  Veja também:Obama já tem mais da metade dos votos de Hillary, diz pesquisa Obama doa US$ 2,3 mil para Hillary e pede mais doações Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Obama mostrou durante o discurso que adotou parte da plataforma de governo defendida pela ex-rival e disse ainda que o povo americano precisa contar com a ajuda de Hillary e Bill Clinton para encarar as mudanças necessárias no país. Ele destacou que "ninguém entende mais do sistema de saúde" que Hillary - durante as primárias, Hillary levantou a saúde como um dos pontos principais de seu governo. A ex-primeira-dama brincou ao afirmar que as primárias democratas foram "espirituosas", e encorajou seus simpatizante a unirem-se ao senador para "criar uma força impossível de ser contida e na qual todos possam acreditar". Hillary reforçou o apelo para que seus eleitores não votem em John McCain. "No fim, o senador McCain e o presidente Bush são os dois lados da mesma moeda, e isso não representa mudança. Se você acredita que precisamos de um novo caminho, uma nova agenda, vote em Barack Obama e teremos a mudança que precisamos e merecemos". Ela pediu ainda para os seus apoiadores que pretendem votar no republicano que "reconsiderem" a decisão. Hillary ressaltou que o republicano John McCain provavelmente não esperava que ela unisse forças com Obama. "Mas agora temos notícias para eles: nós somos um partido, somos a América e não descansaremos até retomarmos o nosso país e colocá-lo novamente no caminho da paz, da prosperidade e do progresso no século 21". O evento marcou a primeira aparição pública conjunta de Obama e Hillary após a senadora ter abandonado a disputa democrata, há três semanas, e tem como objetivo mostrar que o Partido Democrata está unido. O evento ocorre um dia após Obama ter se encontrado com a base de financiamento da campanha de Hillary. A senadora instou a base de financiamento a apoiar Obama na disputa contra o candidato republicano John McCain. União do partido A cidade de Unity, com 1,7 mil habitantes, foi cuidadosamente escolhida pelos democratas: durante as primárias no Estado de New Hampshire, Hillary e Obama obtiveram exatamente o mesmo número de votos em Unity. "Começamos a disputa neste campo em Unity e terminaremos nos degraus do Capitólio, quando Barack Obama fizer o juramento como nosso presidente." Nesta manhã, após se encontrarem e se cumprimentarem com um beijo e um aperto de mãos no Aeroporto Nacional Ronald Reagan (em Arlington, Virginia), Obama e Hillary embarcaram no avião com destino a Manchester, em New Hampshire. O vôo durou cerca de uma hora. Os dois conversaram durante o vôo inteiro, sem a interrupção de cerca de vinte assessores e jornalistas que estavam no avião. Tanto Hillary quanto Obama precisam um do outro à medida que a disputa eleitoral entra numa nova fase. Obama precisa do apoio da ex-primeira-dama para atrair o seu eleitorado e doadores de campanha. Uma sinal claro de Hillary de apoio à campanha de Obama é essencial para que os eleitores da senadora não se sintam traídos e aceitem apoiar o senador por Illinois. Hillary obteve o apoio seguro de grupos bem definidos do eleitorado durante as primárias, incluindo a classe operária branca e as mulheres mais velhas - grupos que têm sido cortejados por McCain desde que ela abandonou a disputa. A senadora Hillary, por sua vez, precisa da ajuda de Obama para pagar as dívidas da sua campanha, estimadas em US$ 10 milhões, mais uma garantia de que ela será tratada com respeito como uma personagem importante da campanha do senador.

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