Hillary quer melhorar imagem dos EUA com diplomacia e defesa

Em sabatina no Senado, futura secretária diz que o país não pode resolver sozinho os problemas do mundo

Agências internacionais,

13 de janeiro de 2009 | 12h29

A secretária de Estado apontada dos Estados Unidos, Hillary Clinton, prometeu nesta terça-feira, 13, renovar a liderança norte-americana através de um "poder inteligente", misto de diplomacia e defesa. A afirmação foi feita no texto do testemunho aberto à imprensa e que será apresentado na audiência de confirmação que começou às 9h30 (12h30 de Brasília) no Comitê de Relações Exteriores do Senado.   A próxima chefe da diplomacia americana - segundo tudo indica - está decidida a criar novas alianças no mundo todo, porque, segundo ela, o país não pode resolver as coisas sozinho, mas "o mundo não pode resolvê-las sem os EUA". "Devemos usar o que se denominou como poder inteligente, a ampla gama de ferramentas a nossa disposição. Com um poder inteligente, a diplomacia estará na vanguarda de nossa política externa", afirma o texto do testemunho de Hillary.   A ainda senadora democrata por Nova York enfrentará, caso seja confirmada no cargo, sérios desafios diplomáticos, como a recente crise na Faixa de Gaza ou as tensões entre Índia e Paquistão. Assim como Obama, Hillary insistiu em que redobrará os esforços para a estabilização do Afeganistão e pressionará o Paquistão para que elimine os esconderijos que o grupo terrorista Al-Qaeda encontrou em território paquistanês.   Os dois apoiam também o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, e a expansão do Exército e da Marinha. Além disso, ambos compartilham a opinião de que o governo do atual presidente americano, George W. Bush, diminuiu o valor da diplomacia internacional. O texto de seu testemunho parece incluir uma crítica ao governo Bush, a quem ela culpou de se concentrar demais na ideologia. "A política externa deve ser baseada em um casamento de princípios e pragmatismo, não em uma rígida ideologia", afirmou Hillary, que solicitará também um maior orçamento para o Departamento de Estado e a Agência para o Desenvolvimento Internacional americano.   O presidente eleito Barack Obama apontou a ex-primeira-dama como principal nome da diplomacia norte-americana. Uma vez confirmada no cargo, Hillary seria a terceira mulher a liderar a diplomacia americana, após Madeleine Albright e a atual secretária de Estado, Condoleezza Rice. Entre os temas que Hillary planeja apresentar em seu testemunho, podem aparecer pistas de como ela pretende liderar a diplomacia americana no governo Obama, como nas relações com o Irã, Iraque, Coreia do Norte e o conflito entre israelenses e palestinos.   Prévia da política externa   Segundo Hillary, a administração de Obama fará todos os esforços para a paz entre israelenses e palestinos. "O presidente eleito e eu nos entendemos e somos profundamente compreensivos com o desejo de Israel se defender diante das circunstâncias, e de estarem livres dos disparos dos foguetes do Hamas". "Também nos recordamos dos trágicos custos humanitários do conflito no Oriente Médio e a dor e o sofrimento dos civis palestinos e israelenses". Segundo a ex-primeira-dama, os recentes acontecimentos em Gaza reforçam a determinação dela e do futuro presidente em buscar um acordo de paz justo e duradouro. "Faremos todos os esforços para apoiar o trabalho dos israelenses e palestinos em busca desse resultado".   "Assim como focamos no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, devemos promover ativamente uma estratégia de poder inteligente no Oriente Médio e que atenda às necessidades de segurança de Israel e às aspirações de legitimação política e econômica dos palestinos".   Sobre a questão dos EUA com a China, Hillary afirmou que melhorar as relações entre os dois países não será "um esforço em uma única direção", e que depende das atitudes de Pequim. "Queremos uma relação positiva de cooperação com a China, em que nos aprofundaremos e fortaleceremos nossos vínculos em vários assuntos", "Porém, não se trata de um esforço em uma única direção. Muito do que faremos dependerá das opções que a China fará sobre o seu futuro, tanto interna como externamente", afirmou.   Hillary disse ainda que buscará "relações de cooperação" com a Rússia, mas que os EUA defenderão as regras internacionais. "O presidente eleito e eu buscamos um futuro de relações de cooperação com o governo russo em matéria de importância estratégica, ao mesmo tempo que manteremos energicamente os valores americanos e as normas internacionais".   Hillary afirmou ainda que os EUA devem trabalhar com as economias emergentes durante a crise econômica e liderar os esforços na luta contra as mudanças climáticas. "Sabemos que mercados emergentes como China, Índia, Brasil, África do Sul e Indonésia estão sentindo os efeitos da atual crise. Nos beneficiaremos em curto e longo prazo se eles participarem da solução". "O mundo precisa de uma resposta urgente e coordenada contra as mudanças climáticas e assim como o presidente Obama afirmou, a América deve ser líder no desenvolvimento e na implementação" dos esforços.

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