Hillary vence na Pensilvânia, mas Obama continua favorito

Diferença de 8 pontos mantém ex-primeira-dama na disputa, com 135 delegados a menos do que o rival

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S.Paulo, com Reuters e Associated Press,

23 de abril de 2008 | 01h12

A ex-primeira-dama americana Hillary Clinton obteve nesta terça-feira, 22, nas primárias democratas da Pensilvânia uma confortável vitória, crucial para se manter viva na corrida rumo à Casa Branca. Seu triunfo sobre o senador Barack Obama, que continua liderando a corrida, foi projetado pelas TVs americanas com base em resultados parciais e pesquisas de boca-de-urna. Apurados 95% dos votos, Hillary estava com 54,8%, enquanto Obama tinha 45,2%. Com isso, segundo contagem da TV CNN, a senadora garantia 40 e o senador, 37 dos 158 delegados em jogo no Estado. Veja também:Hillary agradece apoio e pede mais doações para campanha Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA O professor Sean Purdy comenta as primárias democratas  "Graças a vocês aqui na Pensilvânia, a maré está mudando", comemorou Hillary em discurso a partidários após a confirmação de sua vitória. "Alguns já me consideravam fora da disputa e me disseram para desistir. Mas o povo americano não desiste. E merece uma presidente que também não desiste", acrescentou, aproveitando para pedir mais contribuições financeiras para levar adiante sua campanha. A senadora tem enfrentado dificuldades para arrecadar fundos. Obama, por sua vez, destacou a redução da desvantagem de 20 pontos que tinha nas primeiras pesquisas de intenção de voto na Pensilvânia. "Havia muita gente que inicialmente não acreditava que pudéssemos tornar esta corrida tão disputada", disse o senador a partidários no final da noite em Indiana. "Seis semanas depois, reduzimos a diferença. Reunimos pessoas de todas as idades, raças e origens em apoio à nossa causa", acrescentou. O triunfo de Hillary na Pensilvânia reforça a tese da senadora de que Obama não consegue vencer em grandes Estados, que são cruciais para a vitória de um democrata na eleição presidencial.  Apesar disso, segundo analistas, a dinâmica da disputa continua a mesma. Obama, que arrecadou muito mais dinheiro do que Hillary para sua campanha, deve manter sua estratégia para preservar sua pequena vantagem ao longo das poucas primárias restantes, enquanto sua rival precisa que algo dramático aconteça para tentar reverter a situação, assinalou o consultor democrata Dan Newman.  "Uma pequena vantagem nos primeiros momentos de uma disputa não é grande coisa, mas uma pequena vantagem nos momentos finais parece grande", disse Newman à Reuters.  Segundo contagem da CNN, Obama soma ao todo 1.685 delegados e superdelegados, incluindo os obtidos nesta terça, enquanto Hillary tem 1.544. Faltam nove prévias antes da convenção democrata, em agosto. As próximas disputas serão travadas em 6 de maio na Carolina do Norte (onde Obama é amplamente favorito) e em Indiana (onde Hillary tem ligeiro favoritismo). Se Hillary não obtiver uma contundente vitória em Indiana, analistas especulam que ela poderia, aí sim, abandonar a disputa.  Caso ninguém saia da corrida, a decisão ficará mesmo com a convenção, já que nenhum dos dois pré-candidatos tem condições de reunir os 2.024 delegados necessários para conquistar, nas prévias, a candidatura do partido às eleições presidenciais de novembro. Pesquisas de boca-de-urna mostraram que Hillary garantiu a vitória na Pensilvânia graças ao apoio dos operários, das mulheres, dos idosos e dos brancos, numa votação em que a situação econômica foi apontada pelo eleitorado como a maior preocupação. A Pensilvânia tem 4,3 milhões de eleitores democratas registrados e o comparecimento às prévias foi de 52%, um recorde. Nas primárias democratas de 2004 no Estado, o comparecimento foi de apenas 26%.

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