JUSTIN DUNLAP via REUTERS
JUSTIN DUNLAP via REUTERS

Homem é morto nos EUA após confronto entre apoiadores e opositores de Trump

Polícia investiga ligação do caso com a briga em Portland, cidade que tem sido palco de protestos desde a morte de George Floyd

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2020 | 04h11

PORTLAND - Um homem foi morto após ser baleado na noite deste sábado, 30, em Portland, nos Estados Unidos, enquanto um grande grupo de apoiadores de Donald Trump passava em uma caravana pelo centro da cidade do noroeste dos Estados Unidos, que tem tido manifestações frequentes nos últimos três meses, desde a morte de George Floyd.

O comício de Trump atraiu centenas de caminhões cheios de apoiadores para a cidade. Manifestantes de grupos apoiadores e contrários ao presidente norte-americano entraram em confronto nas ruas, com pessoas atirando armas de paintball da caçamba de caminhonetes e manifestantes jogando objetos de volta para eles.

A polícia investiga a ligação da morte com confronto entre manifestantes; os dois eventos aconteceram no centro de Portland.

De acordo com o The New York Times, o homem que foi baleado e morto estava usando um chapéu com a insígnia de Oração do Patriota, um grupo de extrema direita com base em Portland que já entrou em confronto com manifestantes no passado.

A Delegacia de Polícia de Portland disse que os policiais ouviram relatos de tiros pouco antes das 21h, entre a 3ª Avenida e a Rua Alder, e encontraram um homem com ferimento a bala no peito. No local, os policiais bloquearam a estrada e os médicos confirmaram a morte da vítima. As autoridades não divulgaram nenhuma informação sobre um possível atirador.

A tragédia culminou em uma semana volátil nos Estados Unidos, que começou quando a polícia em Kenosha, Wisconsin, atirou repetidamente contra Jacob Blake, um homem negro, gerando novos protestos contra o racismo e a brutalidade policial, que incluíram o cancelamento de jogos esportivos profissionais. Kyle Rittenhouse, um residente de Illinois de 17 anos, foi acusado de ter ligação com o conexão com o tiroteio fatal.

Desde a morte de George Floyd sob custódia policial em Minneapolis, em maio, Portland convive com manifestações noturnas. Nos últimos dias, manifestações de direita também surgiram na cidade, e Trump destacou repetidamente a agitação na cidade como evidência da necessidade de uma resposta mais dura de lei e ordem aos protestos caóticos contra a violência policial e a injustiça racial que varreram muitas cidades norte-americanas.

Apoiadores do presidente se reuniram no início de sábado nos subúrbios e traçaram uma rota para os centenas de veículos envolvidos no evento que teria mantido eles nas rodovias fora do centro da cidade. Mas alguns dos manifestantes se dirigiram diretamente para o centro da cidade, onde os contrários ao movimento entraram em confronto com eles.

Alguns dos conflitos levaram a brigas. Em um deles, alguém passou por cima de uma bicicleta, atraindo a polícia para o local. 

Enquanto protestos no Portland persistiram, seus números mudaram com o tempo. Os eventos noturnos começaram com manifestações em massa após a morte de Floyd, então diminuiu para um número menor de pessoas que entraram em confronto repetidamente com a polícia.

Em julho, quando o governo federal enviou agentes camuflados para a cidade, o número de protestos voltou a crescer dramaticamente. Nos últimos dias, a multidão de protesto normalmente somava apenas algumas centenas de pessoas. 

Na sexta-feira, 28, depois de uma demonstração pacífica em frente à residência do prefeito Ted Wheeler, uma multidão se dirigiu ao edifício da associação policial, onde alguns dos manifestantes atearam fogo na frente do prédio antes que a polícia dispersasse a multidão. A polícia fez dezenas de prisões nos últimos dias.

Trump focou repetidamente na agitação em Portland, inclusive durante a Convenção Nacional Republicana na semana passada, desafiando os líderes da cidade a acabar com o caos.

Pelo Twitter neste domingo, Trump disse que a Guarda Nacional poderia resolver 'esses problemas' em menos de 1 hora. "As autoridades locais devem perguntar antes que seja tarde demais. O povo de Portland e outras cidades administradas pelos democratas estão desgostosos com Schumer, Pelosi e seus líderes locais. Eles querem Lei e Ordem", disse.

Na sexta-feira, pela mesma rede social, Trump havia dito que o governo federal entraria na cidade se o prefeito não conseguisse manter o controle. Wheeler, em uma carta no mesmo dia, pediu para Trump ficar longe, dizendo que a presença federal anterior piorou as coisas. "Sua oferta de repetir aquele desastre é uma tentativa cínica de atiçar o medo e nos distrair do verdadeiro trabalho de nossa cidade", escreveu ele.

Neste domingo, o Secretário da Segurança Interna em exercício, Chad Wolf, disse à rede de televisão ABC que "todas as opções estão sobre a mesa" para resolver o problema de violência em Portland, incluindo o envio de assistência policial federal. / The New York Times e Reuters

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