Inimigos dos EUA também se manifestam após eleição

Imprensa e líderes de Cuba, Síria, Iraque, Venezuela e dos Talebans fazem exigências ao presidente eleito

EFE,

05 de novembro de 2008 | 18h39

Os meios de comunicação cubanos, todos oficiais, destacam nesta quarta, 5, o triunfo do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas põem em dúvida que represente realmente a "mudança".   Veja também: Já circulam rumores sobre equipe de Obama na Casa Branca Em discurso, Obama diz que 'mudança chegou à América' Veja o perfil do novo presidente Disputa foi a mais cara de todas Campanha de Obama fez história Especial: Festa por mudança  Trajetória de Obama  Guterman: Obama é o resgate do 'espírito americano'  Blog: Brasileiros nos EUA Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Veja a apuração das eleições Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA       O tablóide Granma, porta-voz oficial do governante Partido Comunista, dedica à eleição americana uma de suas oito páginas e um quadro em primeira plano, ambos com o título "Obama à Casa Branca", mas sob a foto do futuro presidente pergunta: "O candidato da mudança?".   Acrescenta que Obama chegou ao pleito de terça-feira "com o respaldo da classe dominante dos Estados Unidos" e "da maioria do 'establishment' democrata".   A agência estatal Prensa Latina destacou que Obama "será o primeiro afro-descendente a ocupar a  primeira magistratura" de seu país, "que herda com suas principais estatísticas no vermelho e enormes desafios".   Toda a imprensa da ilha publicou ontem um artigo do convalescente ditador cubano Fidel Castro, no qual ele voltou a louvar a Obama e atacar a McCain. Não se conhecem até agora reações oficiais do Governo chefiado, desde fevereiro, por seu irmão, o general Raúl Castro.   Talebans ameaçam "destruir" Obama   Os talebans afegãos advertiram hoje em Cabul, que se o próximo presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, enviar mais tropas ao Afeganistão, como pretende, significará sua "destruição" e sua derrota.   "Enviar mais tropas só lhes trará perdas de vidas e destruição", disse à Agência Efe por telefone de um ponto não revelado o porta-voz taleban, Qari Mohammed Yousef.   Yousef advertiu a Obama que será "derrotado" se continuar com a política desenvolvida no Afeganistão por seu antecessor, George W. Bush, e lhe pediu que ordene a retirada das tropas estrangeiras do país.   Há alguns meses, Obama tinha se mostrado partidário de reforçar a presença militar americana no Afeganistão, um país que qualificou como o "centro" da luta contra o terrorismo. "Existe um consenso crescente de que é o momento de retirar algumas de nossas tropas de combate do Iraque e desdobrá-las no Afeganistão (...) Agora é o momento de fazer isso", disse Obama em entrevista em julho.   Os EUA lideram no Afeganistão uma coalizão que cumpre a missão antiterrorista "Liberdade Duradoura", e que conta com uma maioria de soldados americanos, de cerca de 15 mil militares.   Além disso, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) possui no país cerca de 48 mil membros na Força de Assistência para a Segurança (Isaf), que têm mandato da ONU. Destes, 18 mil são americanos.   O presidente afegão, Hamid Karzai, já tinha parabenizado hoje Obama, a quem pediu mudanças na estratégia militar americana no Afeganistão para evitar a morte de civis.     Síria faz silêncio   A Síria ainda não reagiu oficialmente à vitória do candidato democrata Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, embora a imprensa local tenha expressado hoje esperanças com o início de uma nova era.   O periódico estatal Al Zaura assinalou que a Síria espera uma mudança real na política externa americana com a nova Administração para ajudar a estabelecer a paz e a segurança no Oriente Médio. Em artigo de capa, seu editor-chefe, Assad Abud, assinala que Damasco "aspira, procura e apóia uma mudança real na política americana com a chegada de uma nova administração para a busca de paz, segurança, estabilidade e desenvolvimento".   Abud confessou que ele mesmo esperava o triunfo de Obama, já que "será um marco na história e indicador de um grande e surpreendente desenvolvimento na situação política e social dos EUA".   Por sua parte, o editor-chefe do diário oficial Tishreen, Issam Dari, escreveu que "todos os árabes dirão que qualquer novo presidente dos EUA será melhor que George W. Bush. Parece que o cidadão árabe prefere Obama por muitas razões, incluída a promessa democrata de se retirar do Iraque".   No entanto, Dari se queixou que todas as apostas árabes em novos presidentes americanos sempre foram predestinadas ao fracasso, porque acabam sendo piores que seus antecessores, "especialmente para os árabes ", já que o papel dos EUA na região está vinculado às relações estratégicas com Israel.   Sunitas querem mudança política sobre Iraque   A principal coalizão política sunita do Iraque manifestou hoje sua esperança de que o presidente eleito americano, Barack Obama, mude a política da atual Administração dos Estados Unidos em relação ao país árabe.   Essa postura foi anunciada pelo presidente da Frente do Consenso Iraquiano (FCI), Adnan al-Dulaimi, em declarações divulgadas no site dessa aliança política.   "Embora saibamos que a política dos Governos dos EUA não se modificam com a mudança de presidente, nós desejamos que Obama substitua a seguida até agora em relação ao Iraque, para afastar a intervenção de países vizinhos e o fantasma da guerra sectária", afirmou o dirigente político. Além disso, afirmou que "os iraquianos estão à espera dos planos do novo líder americano e das decisões que adotará no que se refere ao Iraque e ao Oriente Médio".   Nesse sentido, disse que "o povo iraquiano não se interessa pelo conteúdo da propaganda eleitoral, mas pelos planos a serem cumpridos pelo novo presidente".   Obama tinha afirmado durante sua campanha eleitoral que retiraria as tropas americanas do Iraque caso vencesse as eleições.   Chávez quer promessas cumpridas   O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que deseja que o democrata Barack Obama cumpra as promessas feitas durante sua campanha eleitoral.   "Obama disse coisas interessantes na campanha e esperamos que seja coerente", afirmou Chávez no ato de inauguração de uma clínica popular em Caracas, que foi transmitido por rádio e televisão.   O presidente venezuelano citou algumas das coisas que gostaria que Obama cumprisse e mencionou, em primeiro lugar, a eliminação "da terrível prisão e centro de torturas" que os Estados Unidos têm na base cubana de Guantánamo.   "Também disse que retirará as tropas do Iraque, para deixar esse povo em paz. Faça isso, senhor, e rápido", acrescentou o governante.   Além disso, Obama se mostrou "disposto a conversar com alguns de nós, os presidentes que foram apontados como o eixo do mal", lembrou Chávez, ao se referir a si mesmo e a seus colegas de Cuba, Raúl Castro; Irã, Mahmoud Ahmadinejad; e Bolívia, Evo Morales.   "No que me diz respeito, estou disposto a conversar em pé de respeito e igualdade, porque a Venezuela não é mais que ninguém, mas também não é menos que ninguém", sustentou Chávez.   O presidente venezuelano disse que gostaria de falar com Obama sobre assuntos de interesse mundial como a aids, a fome, as doenças e a falta de médicos, entre outros.   "Diria a ele que esqueçamos de investir tanto dinheiro em bombas atômicas, aviões invisíveis, Guerra nas Estrelas; que se esqueça de invadir povos e derrubar governos para trabalhar juntos nesses problemas", afirmou.   Chávez falou sobre o atual presidente dos EUA, George W. Bush, e afirmou que "está saindo com as tábuas na cabeça e pela porta de trás, após uma gestão desastrosa".    

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