Irã e Paquistão se tornam novo embate entre Obama e McCain

Ação militar no país aliado americano e programa nuclear de Teerã desviam atenções da guerra do Iraque

The New York Times,

29 de setembro de 2008 | 19h28

Os senadores John McCain e Barack Obama vem discutindo, há meses, se o Iraque era a melhor guerra para ser travada em 2003. No debate de quinta à noite, os candidatos abordaram pela primeira vez os problemas que um deles vai encarar a partir da posse no dia 20 de janeiro: se os Estados Unidos devem estar prontos para levar a cabo uma ação militar no interior do Paquistão, um aliado importante, e como combater o programa nuclear iraniano.   Veja também: Galeria de imagens do debate americano  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    Curiosamente, houve uma inversão de papéis no primeiro debate do ano. Foi justamente o democrata Obama quem pareceu mais alinhado à política do presidente Bush - autorizar forças especiais americanas a cruzar fronteiras afegãs e paquistanesas até o interior do Paquistão, onde zonas tribais têm servido como santuário para militantes da Al-Qaeda e Talebans.   Em um dos momentos mais quentes do debate, o candidato democrata afirmou que levaria a guerra até a porta da caverna onde Osama bin Laden estiver escondido, com ou sem cooperação paquistanesa. O republicano, por outro lado, ponderou que, sem a ajuda local, nenhuma operação estaria garantida.   McCain tomou a posição que Bush vinha assumindo até a metade de 2008, quando o presidente frustrou suas expectativas com o governo paquistanês. Sem nenhum anúncio público, Bush soltou as rédeas das forças militares americanas para entrarem no território do Paquistão. No debate, Obama alegou que isso deveria ter feito isso há anos. E reclamou dos poucos resultados obtidos com os US$ 10 bilhões pagos aos militares paquistaneses.   Ainda sobre o terrorismo, os candidatos discutiram qual é o principal front da batalha. Para Obama, o centro é - e sempre foi - a zona tribal paquistanesa e regiões vizinhas no Afeganistão. O Iraque, segundo ele, é uma distração perigosa. McCain defende que o Iraque esteve sim no front, lembrando que o próprio Bin Laden o declarou como campo de batalha contra América.   O debate sobre o Irã inaugurou o terreno de testes onde os candidatos mais oscilaram na preferência do eleitor. McCain se referiu várias vezes ao Irã como uma ameaça à existência de Israel. Mas, curiosamente, dada suas declarações passadas, McCain não repetiu o argumento de que seria melhor atacá-lo do que conviver com as armas nucleares do país. Ao invés disso, solicitou sanções mais efetivas, sugerindo que Bush nunca mobilizou de fato os aliados dos Estados Unidos - França, Alemanha e Rússia - a pressionar o Irã.   Obama disparou de volta que a guerra do Iraque aumentou a força do Irã, e apontou que quatro mil centrífugas foram construídas por iranianos durante o governo Bush (os últimos números da Agência Internacional de Energia Atômica são mais baixos: 3.800). Mas o democrata voltou à discussão para argumentar que, mesmo enquanto pressiona o Irã, os Estados Unidos devem engajar os iranianos diretamente. Para isso, ele está de acordo com muitos no Departamento de Estado, mas não com a secretária de Estado, Condoleezza Rice.   McCain ecoou os argumentos da administração Bush, que se recusa a negociar diretamente com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, porque isso o "legitimaria". E também porque diz não negociar com líderes iranianos antes de definir as pré-condições, como a política dos Estados Unidos tem feito desde 2006. A administração Bush se recusou a sentar com lideranças iranianas até que eles suspendam a construção das centrífugas produtoras de urânio.

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