Jesse Jackson Jr. seria possível comprador da vaga de Obama

Congressista nega envolvimento com o escândalo sobre a tentativa do governador de Illinois de 'vender' o posto

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2008 | 08h15

Depois que foi revelado o escândalo envolvendo o governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de tentar vender a vaga de senador do Estado, resta a dúvida sobre quem seriam os possíveis compradores. Todas as pistas apontam para o congressista de Chicago Jesse Jackson Junior, filho do referendo conhecido pela defesa dos direitos civis Jesse Jackson. Jesse, que buscou abertamente a nomeação, negou na quarta-feira, 10, ter oferecido favores em troca da indicação, e ressaltou que não está envolvido "em nada ilegal".   Veja também: Obama pede renúncia de governador de Illinois Oposição aproveita 'venda' de cargo para atingir Obama Democratas querem eleição para sucessor de Obama no Senado O gabinete do presidente eleito   Em uma conversa com um dos candidatos à vaga, Blagojevich pediu um salário de até US$ 300 mil por ano em uma fundação sem fins lucrativos. Em outra, um dos pretendentes, até então identificado pelo FBI apenas como "candidato 5", ofereceu ao governador US$ 1 milhão. O advogado de Jesse Jackson Jr. disse que o deputado é o "candidato 5". Mas James Montgomery afirmou que Jackson Jr. nunca ofereceu dinheiro a Blagojevich para que este o indicasse para a vaga. Em uma entrevista coletiva, Jackson Jr. pediu a renúncia de Blagojevich e afirmou não ter feito nada de errado.   Jackson Jr. é deputado por Illinois desde 1995 e um dos favoritos à vaga. Ele foi co-presidente nacional da campanha de Obama. Na segunda-feira, antes do escândalo, ele foi sabatinado por uma hora e meia pelo governador. Na saída, Jackson elogiou Blagojevich. "O governador adotou um procedimento de seleção bastante cuidadoso. Ele está analisando uma série de questões e estou confiante que tomará a decisão correta", disse.   "Eu não iniciei ou autorizei ninguém em nenhum momento a prometer qualquer coisa ao governador Blagojevich em meu nome", disse Jackson Jr. "Eu nunca enviei uma mensagem ou um intermediário ao governador para fazer uma oferta ou um pedido no meu caso ou para propor um acordo sobre a cadeira no Senado dos Estados Unidos", ele disse.   Agora, o processo de seleção está suspenso. Mesmo que não renuncie, Blagojevich deve ser cassado. Nesse caso, a decisão ficaria com o vice, Pat Quinn. Mas há uma corrente defendendo que a escolha do senador seja feita pelo Congresso estadual. Há ainda um outro grupo, composto pelos principais líderes do Partido Democrata, que pediu que o Legislativo estadual convoque uma eleição especial para preencher a vaga.   Segundo o jornal The New York Times, foi um telefonema que Obama fez há três meses para seu mentor, Emil Jones, líder do Senado de Illinois, que desencadeou a prisão de Blagojevich. Na ocasião, Obama pediu que Jones aprovasse uma lei limitando a influência de doadores em campanhas políticas. O texto havia sido vetado por Blagojevich. Jones também era contra, mas mudou de idéia após a conversa.   Assim, o Senado de Illinois derrubou o veto do governador. A legislação foi aprovada e entra em vigor dia 1º. Correndo contra o tempo, Blagojevich começou a pressionar empresários pedindo doações de campanha antes que as novas regras começassem a valer. A atitude chamou a atenção do FBI, que começou a monitorar suas ligações telefônicas. A prisão fez de Blagojevich o quarto dos últimos sete governadores de Illinois a ser preso por corrupção.

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