John McCain critica estratégia americana no Afeganistão

'Não é assim que se administra uma guerra', diz candidato republicano, prometendo enviar mais soldados à região

Reuters,

15 de julho de 2008 | 18h52

O candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, criticou duramente nesta terça-feira, 15, o esforço de guerra americano no Afeganistão e prometeu mudar o panorama se for eleito, a começar pelo envio de mais soldados. "Não é assim que se administra uma guerra", disse McCain, reclamando que a situação do país havia se deteriorado e que o cenário visto hoje mostrava-se inaceitável.   Veja também: Iraque desvia atenção do Afeganistão, diz Obama Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Com seus comentários, o republicano ingressa no debate sobre o que fazer com o Afeganistão, cuja guerra iniciada depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA teria sido, segundo os democratas, negligenciada pelo governo norte-americano, mais interessado no Iraque.   Um ataque contra uma base dos EUA na fronteira com o Paquistão, ataque esse realizado no domingo pelo Taleban (grupo que volta a ganhar força), matou nove soldados norte-americanos e deixou outros 15 feridos, fazendo desse a maior baixa sofrida pelos EUA no Afeganistão desde 2005.   McCain, um senador pelo Estado do Arizona que se considera o azarão da disputa presidencial de 4 de novembro, na qual enfrentará o candidato do Partido Democrata, Barack Obama, afirmou que a melhora da situação verificada no Iraque depois do envio de mais soldados norte-americanos para lá permitiria aos EUA mandar um contingente suplementar ao território afegão.   Comandantes das forças americanas estacionadas no Afeganistão dizem que precisam de ao menos mais três brigadas de 3.500 integrantes cada uma. E McCain afirmou que o reforço deveria ser enviado. Atualmente, há 36 mil soldados norte-americanos no território afegão.   "Em virtude do sucesso do aumento do contingente militar no Iraque, essas forças estão ficando à disposição, e nossos comandantes no Afeganistão precisam recebê-las. No entanto, o mero envio de mais soldados não será suficiente para vencermos o conflito", disse McCain em um evento de campanha realizado em Novo México, um dos Estados que podem decidir a eleição presidencial de novembro.   O republicano foi aplaudido de pé pelos presentes quando prometeu capturar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden. "Quando eu for o comandante-em-chefe, não haverá lugar para o qual os terroristas conseguirão correr e nenhum lugar para se esconderem", afirmou.   McCain, membro do Comitê dos Serviços Armados do Senador que vê em sua experiência nas questões de segurança nacional um dos pontos fortes de sua candidatura, fez duras críticas à estratégia adotada atualmente pelos EUA no Afeganistão.   "Hoje, há nada menos que três comandos militares de combate dos EUA operando no Afeganistão, bem como o comando da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). E alguns países membros da Otan possuem restrições quanto ao local aonde suas tropas podem ir ou quanto ao que podem fazer. Não é assim que se administra uma guerra."

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