Eric Gay/AP Photo
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Juiz dos EUA anula venda de arrendamento de petróleo do Golfo do México por impacto climático

Grupo ambientalista contestou a venda, argumentando que não foram consideradas as emissões de gases de efeito estufa que resultariam da perfuração

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2022 | 02h40

Um juiz federal dos Estados Unidos invalidou os resultados de uma venda de arrendamento de petróleo e gás no Golfo do México nesta quinta-feira, 27. A justificativa foi a de que o governo de Joe Biden falhou em explicar adequadamente o impacto da mudança climática do leilão.

A decisão lançou incerteza sobre o futuro do programa federal de perfuração offshore dos EUA, que tem sido uma grande fonte de receita pública por décadas, mas também atraiu a ira de ativistas preocupados com seu impacto no meio ambiente e para o aquecimento global.

O Golfo do México responde por 15% da produção de petróleo existente e 5% da produção de gás natural seco, de acordo com a Energy Information Administration.

O juiz Rudolph Contreras, do Tribunal Distrital de Columbia, decidiu invalidar a venda de arrendamento do Bureau of Ocean Management, que ofereceu cerca de 80 milhões de acres offshore (37,4 milhões de hectares) no Golfo do México em um leilão em novembro passado.

A venda gerou mais de US$ 190 milhões, a maior desde 2019, em 1,7 milhão de acres vendidos. Ela atraiu ofertas de grandes petrolíferas dos EUA, incluindo Exxon Mobil Corp e Chevron Corp.

A decisão veio depois que o grupo ambientalista Earthjustice contestou a venda em nome de quatro outros grupos verdes, argumentando que o Departamento do Interior do presidente dos EUA, Joe Biden, estava confiando em uma análise ambiental de anos atrás, que não considerava com precisão as emissões de gases de efeito estufa que resultariam do desenvolvimento do blocos.

Contreras concordou, culpando o governo por excluir o consumo estrangeiro de sua análise de emissões de gases de efeito estufa e por ignorar a ciência mais recente sobre o papel do desenvolvimento de petróleo e gás no aquecimento global.

Biden fez campanha para a Casa Branca com a promessa de acabar com a perfuração federal de petróleo e gás para combater as mudanças climáticas, mas os esforços para suspender novos leilões falharam depois que os estados da Costa do Golfo entraram com processos. O Congresso determinou que os Estados Unidos realizem leilões regulares de terras públicas para o desenvolvimento de petróleo e gás.

“Estamos satisfeitos que o tribunal tenha invalidado a venda ilegal de arrendamento do Departamento do Interior”, disse Brettny Hardy, advogado sênior da Earthjustice, em um comunicado. “Simplesmente não podemos continuar a fazer investimentos na indústria de combustíveis fósseis para o perigo de nossas comunidades e do planeta cada vez mais aquecido.”

A indústria de perfuração offshore criticou a decisão. “A incerteza sobre o futuro do programa federal de arrendamento offshore dos EUA pode apenas fortalecer a influência geopolítica de nações mais emissoras – e adversárias, como a Rússia”, disse o presidente da Associação Nacional das Indústrias Oceânicas, Erik Milito, em reação à decisão./Reuters

 

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