Lobistas tentam se adaptar ao novo governo Obama

Organizações, como os fazendeiros, estarim em contato com a equipe de transição para garantir interesses

Agências internacionais,

14 de novembro de 2008 | 09h43

 O domínio dos democratas garantido na última eleição - eles levaram a Casa Branca e têm maioria no Congresso - está abalando a indústria do lobby, que movimenta mais de US$ 3 bilhões por ano. A campanha do presidente eleito, Barack Obama, já ressaltou sua antipatia pelos lobistas e que irá introduzir regras para restringir o papel deles durante o governo, embora algumas pessoas próximas ao setor já tenham sido nomeadas na equipe de transição. Além disso, pessoas ligadas ao lobby afirmam que já estão em contato com os responsáveis pela mudança de governo. Veja também:Obama avalia Hillary para secretária de Estado Obama anuncia que deixará Senado no domingo Jornal traz os 50 fatos curiosos sobre Barack Obama Principais desafios de ObamaNomes cotados para o gabinete de ObamaQuem são os eleitores de Obama   Trajetória de Obama  Cobertura completa das eleições nos EUA A equipe de transição de Obama divulgou 13 nomes na quarta-feira de pessoas que comandarão uma revisão das agências federais e outras seis que liderarão equipes na revisão das políticas nos departamentos do Tesouro, Estado e Defesa, além de questões sobre pessoal. Entre as pessoas listadas há quatro que já foram registradas como lobistas (a profissão é regulamentada nos Estados Unidos) e duas que trabalharam no setor de lobby mais recentemente, inclusive em 2008. As nomeações não parecem violar as regras determinadas por Obama de barrar pessoas que fizeram lobby no ano passado, de trabalhar em temas relacionados aos lobbies durante a transição. Depois de oito anos de administração republicana, os 16 mil lobistas registrados em Washington se preparam para cooperar ou buscar um modo de tirar vantagens no novo cenário. Muitos lobistas começaram a tomar posição antes mesmo da eleição. A Federação de Fazendas dos Estados Unidos (American Farm Bureau Federation), como a maior parte dos grupos, tentam manter o bipartidarismo. Agora, eles estão em contato com a equipe de transição de Obama sobre suas prioridades, incluindo a produção de energia e o comércio. A Financial Services Roundtable, que representa cem dos maiores nomes das instituições financeiras do país, também diz que está em contato com a equipe de Obama. "Estamos conversando com legisladores, o pessoal do Tesouro e com o time de transição", afirmou Scott E. Talbott, vice-presidente sênior de assuntos governamentais do grupo. Entre as preocupações deles está o pacote de US$ 700 bilhões para o socorro da economia e as restrições a ele.  Embora raramente queiram nomear pessoas, os lobistas estão intrigados com os potenciais nomes de Obama, e em alguns casos já descrevem as características da pessoas que gostariam em determinados casos. Alguns postos da Federação de Fazendas incluem os Departamentos de Agricultura e Energia, da Agência de Proteção Ambiental e pessoas ligadas às questões de indústria e comércio. Os lobistas estão de olho em pessoas que já integraram governos anteriores e podem voltar ao poder. Dan Glickman, presidente da Associação do Cinema Americano (Motion Picture Association of America), foi secretário da agricultura no governo Clinton, cujos ex-integrantes são bastante cotados para retornar. Nomeados Os conselheiros para a transição de Obama incluem Tom Donilon, um importante lobista da Fannie Mae, gigante das hipotecas apoiada pelo governo que ajudou a precipitar a atual crise financeira. Donilon liderará uma equipe que revisará o Departamento de Estado. Também liderando o grupo do Departamento de Estado estará Wendy Sherman, diretora do Albright Group, fundado pela ex-Secretária de Estado Madeleine Albright. Wendy comandou o fundo de caridade da Fannie Mae entre 1996 e 1997. Ela também participou de uma nova comissão do Congresso para reduzir a ameaça das armas de destruição em massa. Tanto Wendy quanto Donilon trabalharam no Departamento de Estado durante a administração Clinton. Três membros da equipe atuaram como arrecadadores de fundos da campanha de Obama. Don Gips, um dos líderes da equipe de revisão das agências, é um executivo na Level 3 Communications e ex-conselheiro político do vice-presidente Al Gore. Gips arrecadou mais de US$ 500 mil para a campanha. A revisão do Tesouro será comandada por Josh Gotbaum, um veterano da administração Clinton que trabalha há tempos no banco de investimentos Lazard Freres, e também por Michael Warren, diretor do escritório de operações da Stonebridge International LLC, empresa de consultoria e lobby de Washington. Há alguma conexão entre o trabalho de Stonebridge, que inclui aconselhar multinacionais interessadas em operar nos EUA, e o Tesouro, principal agência na revisão de aquisições de companhias norte-americanas por multinacionais, por causa de eventuais problemas envolvendo a segurança nacional.

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