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Mais de 130 milhões de eleitores devem ir às urnas nos EUA

Em momento delicado, americanos decidirão se Obama ou McCain ocupará a Casa Branca nos próximos 4 anos

Ricardo Gozzi e Gabriel Bueno da Costa, da Agência Estado,

04 de novembro de 2008 | 07h03

Dezenas de milhões de americanos vão às urnas nesta terça-feira, 4, para escolher entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, mas serão os 538 integrantes do Colégio Eleitoral que terão a missão de decidir qual dos dois assumirá a Casa Branca em um dos momentos mais delicados da história dos Estados Unidos. Além de votar para presidente, os americanos também renovarão toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado do país. Em 11 Estados, haverá ainda eleição para governador. Veja também:Estadao.com.br na terra dos ObamasDiário de bordo da viagem ao Quênia Confira os números das pesquisas nos EstadosObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA De acordo com um levantamento do Centro de Estudos Eleitorais da Universidade Americana divulgado no domingo, 153,1 milhões de americanos já se registraram para participar do pleito de terça-feira, o que representa 73,5% da população apta a votar. Pesquisas recentes de opinião sugerem uma expectativa de alto índice de comparecimento, especialmente entre os eleitores mais jovens, e acredita-se que o pleito deste ano ultrapassará baterá o recorde de comparecimento às urnas de 2004, quando 126 milhões de americanos, ou 64% do total, votaram para presidente. Até o momento, cerca de 45 milhões de eleitores já depositaram seus votos pelo correio nos cerca de 30 Estados americanos que permitem o voto antecipado, segundo uma pesquisa Wall Street Journal/NBC divulgada na segunda-feira. Por conta dos muitos fusos horários existentes nos EUA, as urnas permanecerão abertas durante aproximadamente 20 horas, se tudo transcorrer conforme o previsto. Os primeiros locais de votação, na costa leste, abrirão às 8h da manhã de terça-feira, pelo horário brasileiro de verão; as últimas urnas, no Alasca, deverão fechar às 4h da madrugada de quarta-feira, também segundo o horário brasileiro de verão. A expectativa é de que o vencedor da corrida presidencial seja conhecido no início da madrugada de quarta-feira, antes mesmo do fechamento das últimas urnas nos Estados da costa oeste americana. Colégio Eleitoral Considerado confuso por muitos e condenado por alguns especialistas, o sistema de eleições por meio do Colégio Eleitoral dos Estados Unidos será posto à prova novamente neste ano. O candidato do Partido Democrata, Barack Obama, e seu rival John McCain, do Partido Republicano, lutam para chegar ao "número mágico" de 270 delegados no Colégio, que garante a presidência. A eleição não é direta entre os norte-americanos. Para vencer, é preciso que o candidato possua a maioria entre os 538 membros do Colégio Eleitoral. A divisão dos delegados é feita proporcionalmente à população dos Estados - um Estado populoso como a Califórnia tem 55 delegados, enquanto Estados com pouca população como Vermont e Delaware tem apenas 3. Uma importante regra é que na maioria dos Estados, o vencedor no voto popular leva todos os votos correspondentes àquele Estado. Isso significa que, se um candidato vence com 50,1% ou com 99% dos votos, ele terá os mesmos 100% dos delegados. As únicas exceções nessa fórmula são Maine e Nebraska, onde os delegados são distribuídos proporcionalmente ao voto popular. Em alguns Estados, há clara vantagem para uma das duas principais forças políticas norte-americanas: o Partido Republicano ou o Partido Democrata. Mas em outros - os chamados "swing states" - não há um padrão claro. "A única razão pela qual alguns Estados se tornam competitivos e outros não é a demografia", aponta Jack Rakove, professor de ciência política de Stanford, na Califórnia, em entrevista por telefone à Agência Estado. Rakove critica o fato de, na campanha dos EUA, muitos eleitores estarem na prática alienados, já que vivem em regiões claramente democratas ou republicanas. Ou seja, o voto dessas pessoas não terá um peso igual ao de um eleitor em uma Estado disputado. "O Colégio Eleitoral introduz algumas distorções sistemáticas, tornando alguns Estados mais importantes que outros", afirma Rakove. Vencer, mas não levar  O professor de ciência política Jack Nagel, da Universidade da Pensilvânia, também faz ressalvas o sistema eleitoral do país. Uma das razões para isso é que o candidato mais votado pela população pode perder, dependendo do peso dos Estados no Colégio Eleitoral. Em 1876, 1888 e 2000, o favorito da população como um todo perdeu. Em 2000, a Suprema Corte determinou que a recontagem no Estado da Flórida fosse interrompida, o que resultou na vitória do republicano George W. Bush sobre Al Gore no Colégio Eleitoral, apesar de o democrata ter conseguido meio milhão de votos a mais que o adversário na votação popular.  Já em 1824, havia divisão política e nenhum dos candidatos conseguiu o número necessário para vencer no Colégio Eleitoral. Nesse caso, a Câmara dos Representantes determina o vencedor. Naquela ocasião foi escolhido o secretário de Estado John Adams, e não o preferido dos eleitores, o senador Andrew Jackson. Nagel lembra que esse sistema foi estabelecido na época da elaboração da Constituição dos EUA, em 1787, e reflete um complexo compromisso entre os Estados. Mas afinal, o peso dos Estados acaba tornando o voto do eleitor mais ou menos importante? Os especialistas consultados divergem a respeito. Para Nagel, os grandes Estados apontam mais delegados e, assim, seus eleitores têm mais peso. Porém, Rakove nota que, em eleições acirradas, é o voto dos pequenos Estados que pode decidir. Agora, os partidários da reforma buscam um "atalho": aprovar a mudança Estado por Estado. Se os Estados correspondentes à maioria dos votos no Colégio Eleitoral passarem a alteração, o novo sistema eleitoral entrará em vigor. Até agora Havaí, Illinois, New Jersey e Maryland aprovaram a medida. Eles respondem por 50 votos, ou 19% dos 270 necessários. Mas enquanto a mudança não chega, o histórico Colégio Eleitoral continua funcionando. As eleições nos 50 Estados e no distrito de Colúmbia ocorrem no dia 4 de novembro, mas somente em 15 de dezembro o Colégio Eleitoral apontará formalmente o sucessor do atual presidente, George W. Bush. Em tese, um delegado pode ignorar o voto popular e escolher quem quiser. Porém isso aconteceu pouquíssimas vezes na história do país, e os analistas afirmam que é bastante improvável qualquer alteração no resultado final por causa desse fator.  Na reta final, os partidos colocam em campo suas táticas para vencer nos Estados cruciais, garantir os tradicionalmente aliados e também "beliscar" alguma área do rival. Nesse quadro pode ser entendido, por exemplo, o fato de Obama freqüentemente realizar comícios em Estados onde Bush venceu nas eleições de 2004, como no Novo México e no Colorado. O democrata quer ganhar espaço no território em que o rival triunfou na eleição anterior. Já McCain nos últimos dias tem feito campanha em alguns Estados que apontam vários delegados, como a Pensilvânia, responsável por 21 deles. "Ele está tentando ganhar um Estado grande, em vez de se concentrar em três ou quatro menores", aponta o professor de ciência política Charles Franklin, da Universidade de Wisconsin, Madison. Porém, Franklin recorda de outra vantagem de Obama: dinheiro.  Com a arrecadação recorde, o senador por Illinois tem conseguido tanto "defender" Estados democratas quanto "atacar" os do rival. Com isso, força McCain a "perder tempo" para defender os votos em Estados considerados republicanos. Obama aparece com vantagem em todas as pesquisas. Mas Franklin adverte para um padrão histórico, segundo o qual a vantagem diminui na reta final da corrida pela Casa Branca. O vencedor, somente os eleitores até o dia 4 e a matemática do Colégio Eleitoral dirão.

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