John Locher/AP
John Locher/AP

Massacres reacendem debate sobre controle de armas e discurso de ódio nos Estados Unidos

Polícia investiga ligação entre atirador de El Paso e manifesto anti-imigração que circula na internet

Agência, Bloomberg

04 de agosto de 2019 | 11h01

Dois massacres que aconteceram em menos de 24 horas nos Estados Unidos reacenderam o debate sobre controle de armas e, dadas as supostas visões anti-imigração de um dos atiradores, levantaram a questão dos perigos do discurso de ódio.

Até agora, o controle de armas tem sido um tema predominantemente periférico na campanha dos Democratas para 2020. Alguns consideram o tema uma causa perdida, graças a anos de incidentes violentos com pouca resposta política de legisladores. O candidato democrata à presidência Joe Biden, no entanto, se manifestou sobre o caso no Twitter. "Já passou da hora de entrarmos em ação e acabarmos com nossa epidemia de violência armada", escreveu na rede social após o primeiro ataque. 

Ainda no sábado, 3, a polícia prendeu o suspeito de abrir fogo com um rifle de assalto em uma loja Walmart em El Paso, Texas, em massacre que resultou na morte de pelo menos 20 pessoas. O homem de 21 anos teria dirigido centenas de quilômetros da sua casa, localizada nos arredores de Dallas, até a cidade de El Paso, que fica na fronteira entre Estados Unidos e México. 

Autoridades estão investigando uma possível ligação entre o atirador e um manifesto anti-imigração que começou a circular na internet logo após o massacre. Ao menos três vítimas do ataque eram mexicanas, disse o presidente mexicano André López Obrador em um vídeo no Twitter.

O segundo massacre, que aconteceu menos de 24 horas depois do ataque em El Paso, matou pelo menos nove pessoas que passeavam por um bairro boêmio em Dayton, Ohio, informou a polícia local. 

Em uma série de tweets, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou os assassinatos de El Paso de "um ato de covardia", dizendo que "não há razões ou desculpas que justifiquem a morte de pessoas inocentes". Ele estava sendo informado domingo de manhã sobre o incidente de Dayton, disse a Casa Branca.

Discursos. Trump lançou sua candidatura presidencial em junho de 2015 após associar imigrantes mexicanos a traficantes de drogas, criminosos e estupradores. Desde então, a retórica anti-imigração tem sido uma peça-chave da administração Trump. O presidente descreveu a fronteira sul como "um oleoduto para vastas quantidades de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil". Ele chamou membros de gangues de "animais" e enviou tropas para a fronteira sul para "deter a tentativa de invasão de ilegais". Ele também disse em tweets e em comícios que o país está "cheio".

 Nas últimas semanas, o presidente intensificou a retórica racial contra legisladores democratas em uma aparente tentativa de animar sua base para a eleição de 2020. Na semana passada, os líderes religiosos da Catedral Nacional em Washington - que tipicamente se mantêm longe da disputa política - disseram que as "violentas palavras desumanas" de Trump, que atacaram minorias, acarretam em conseqüências desastrosas.

O político democrata Beto O'Rourke abandonou a campanha e voltou para El Paso, sua cidade natal, onde relacionou os discursos de Trump a atos violentos. "O racismo de Trump não apenas ofende nossas sensibilidades; ele muda fundamentalmente o caráter deste país. E leva à violência", disse. 

 

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