McCain acusa Obama de ser 'ingênuo' com o terrorismo

Campanha do candidato republicano diz que democrata tem uma 'perigosa mentalidade de 10 de setembro'

Associated Press,

17 de junho de 2008 | 17h59

A campanha do candidato republicano à Presidência americana John McCain acusou Barack Obama de ter uma "perigosa e ingênua mentalidade de 10 de setembro" sobre as questões do terrorismo porque o candidato democrata defendeu o julgamento dos responsáveis pelo primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993.   Veja também:  Obama tem pequena vantagem sobre McCain Possíveis vice-candidatos para Obama Possíveis vice-candidatos para McCain Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Obama acredita que o governo americano deve ser firme com os terroristas "com as restrições de nossa Constituição", enquanto os republicanos defendem a prisão de Guantánamo.   Criticando as políticas anti terrorismo do presidente George W. Bush, o democrata mencionou a prisão indefinida em Guantánamo, em contraste com um julgamento dos acusados pelos primeiros ataques ao World Trade Center.   "Nós podíamos prender aqueles responsáveis, julgá-los, mas eles estão em prisões, incapacitados", declarou, em uma entrevista à rede ABC na segunda-feira.   O democrata ainda concordou com a decisão da Suprema Corte na semana passada que diz que os detentos de Guantánamo tem direitos constitucionais para apelar contra as prisões indefinidas nas cortes civis americanas. McCain classificou a medida como "uma das piores decisões da história do país."   Em uma conferência com repórteres, o consultor de McCain Randy Scheunemann afirmou que "o senador Obama é a perfeita expressão de uma mentalidade de 10 de setembro. Ele não entende a natureza dos inimigos que enfrentamos."   O ex-diretor da CIA James Woolsey disse que o senador democrata tem uma "ingenuidade extremamente perigosa sobre o terrorismo e volta-se para o diálogo com prisioneiros capturados do exterior, que estavam engajados no terrorismo contra os EUA."   A campanha de Obama rapidamente respondeu aos comentários em uma conferência onde o senador democrata John Kerry e Richard Clarke, um oficial anti terrorismo das administrações republicanas e democratas, argumentaram que a campanha de McCain imita Karl Rove, ex-conselheiro político de Bush.   "Eu estou um pouco desapontado com os ataques de alguns de meus amigos na campanha de McCain que usaram as mesmas velhas táticas para dividir os americanos por uma vantagem partidária e os amedrontar livremente", destacou Clarke.   As críticas republicanas repetiram as palavras de Rowe, que em janeiro de 2006 disse que os republicanos têm uma visão do mundo "pós 11 de setembro" enquanto os democratas vêem de forma "pré 11 de setembro". Onze meses depois, o Partido Republicano perdeu o controle da Casa e do Senado nas eleições.   Kerry, o candidato presidencial democrata nas eleições de 2004 que enfrentou críticas republicanas de que seria leve com o terrorismo, acusou McCain de "apoiar uma política indefensável" por sustentar as medidas de Bush, especialmente sobre a guerra no Iraque. "Os Estados Unidos são menos seguros, menos respeitados e menos apto a liderar o mundo, e é essa a posição que John McCain escolheu abraçar", declarou.

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