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McCain busca unidade entre republicanos após saída de Romney

Desistente ainda não define apoio oficial, mas apoia posição do favorito sobre temas como Iraque e terrorismo

Agências internacionais,

08 de fevereiro de 2008 | 12h10

O senador John McCain garantiu a nomeação de sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos com a desistência de Mitt Romney, que afirmou que a guerra no Iraque e a ameaça terrorista exigem que o Partido Republicano mantenham a unidade.   Veja também: Obama arrecada US$ 7,2 mi desde Superterça "Republicanos usarão escândalos contra Hillary" Definição segue caminhos divergentes Corrida eleitoral deve seguir por semanas Especial eleições americanas  Cobertura completa das eleições nos EUA     Em um dramático anúncio, o pré-candidato republicano Mitt Romney, que estava em segundo lugar nas pesquisas de opinião e em número de delegados, abandonou a campanha presidencial, deixando o caminho livre para a indicação do senador John McCain à candidatura do partido. Romney teve desempenho decepcionante nas prévias da Superterça, perdendo boa parte dos votos conservadores para seu rival Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas.   Romney afirmou que queria ter lutado pela sua campanha, mas que "Se eu continuasse insistindo, atrasaria o lançamento de uma candidatura nacional e tornaria mais provável uma vitória da senadora Hillary Clinton ou do senador Barack Obama. E, neste tempo de guerra, não posso deixar que minha campanha contribua para uma rendição ao terrorismo."   Mais tarde, durante a mesma conferência do Partido Republicano, McCain tentou novamente atrair a confiança dos conservadores e fez um apelo para que o eleitores e partidários de Romney se unissem a sua campanha. "Sei que não posso ganhar de Hillary ou Obama sem o apoio de vocês, conservadores dedicados", disse. "Mesmo que vocês achem que eu tenha errado em algumas questões, saibam que fui conservador na maioria das questões."   Além de admitir que cometeu erros, McCain prometeu consultar os conservadores em um eventual governo seu. Em seguida, o senador foi vaiado longamente ao mencionar a lei de reforma de imigração, que McCain propôs em 2007 e que abre caminho para a legalização dos ilegais, medida criticada pelos conservadores.   Logo após o discurso de despedida, McCain telefonou para Romney. Os dois conversaram, mas não houve nenhuma menção de apoio à candidatura do senador. Segundo assessores, McCain elogiou o adversário e manifestou desejo de conversar pessoalmente e em breve com Romney. Além disso, pela primeira vez ele mostrou sinais de apoio, afirmando que ele concorda com McCain nas questões sobre a guerra e a luta contra o terrorismo. "Discordo do senador McCain em uma série de temas que todos conhecem", "porém, concordo com ele que é preciso fazer todo o possível pelo sucesso no Iraque".   O presidente George W. Bush deve falar ao partido nesta sexta e indiretamente dar o aval ao seu antigo rival na nomeação do partido em 2000. "Logo teremos um nomeado que carregará a bandeira conservadora nesta eleição e futuramente", Bush deve anunciar.   Resta agora a McCain um oponente de peso - Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas. Huckabee demonstrou este ano ser um candidato articulado e afável e seu desempenho, ganhando em meia dúzia de Estados do Sul na terça-feira, foi o motivo pelo qual Romney curvou-se ao inevitável e desistiu.   Huckabee é um candidato com algumas deficiências - particularmente a falta de experiência em questões internacionais - e, o que é mais significativo, sem muito dinheiro para continuar. Mais ainda, McCain tem uma grande dianteira nos delegados que foram escolhidos na terça-feira e, segundo as normas do partido, Huckabee teria grandes dificuldades para alcançá-lo mesmo se tivesse dinheiro para tanto.   Embora Huckabee e Ron Paul permaneçam na disputa, a saída de Romney deixa McCain em uma posição praticamente inatingível, enquanto Obama e Hillary travam uma longa luta pela nomeação entre democratas.   Saída de Romney   Para o estrategista republicano Chip Felkel, Romney não conseguiu se firmar como o candidato conservador porque deixou de ganhar em Estados tradicionais como Carolina do Sul, Geórgia e Tennessee. O fato de Romney ser mórmon também pesou - ele não conseguiu conquistar os votos dos evangélicos, que foram para Huckabee.   "Ele mudou muito suas posições e, apesar de sua imagem presidencial, passou uma imagem muito perfeitinha para o ponto de vista dos conservadores", disse Felkel ao Estado. Outro problema, de acordo com ele, foi atrair os eleitores republicanos de classe média, que não conseguiam se identificar com o multimilionário Romney.   McCain venceu nove das 21 primárias republicanas e acumulou cerca de 700 delegados. Até ontem, Romney tinha 294 delegados e Mike Huckabee, 195. São necessários 1.191 delegados para ganhar a indicação na convenção nacional, em setembro. Romney deve manter seus delegados e usá-los na convenção nacional, provavelmente para barganhar a indicação de um vice-presidência na chapa de McCain   Romney foi o candidato que mais gastou na campanha, US$ 87,6 milhões até agora, sendo US$ 35 milhões do próprio bolso. Ele gastou mais do que Obama (US$ 85 milhões) e Hillary (US$ 80 milhões), e bem mais que o líder McCain (US$ 39 milhões). Matematicamente, seria impossível Huckabee ganhar de McCain em número de delegados, mesmo se vencesse todas as prévias daqui para frente. Entretanto, Huckabee diz que não vai desistir. Para analistas, ele quer ganhar mais delegados, aumentar seu cacife político e reivindicar a vaga de vice na chapa de McCain.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e The New York Times)

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