McCain cogitou mudança para o Partido Democrata, diz NYT

Virtual candidato republicano chegou a propor chapa dividida com John Kerry, segundo 'New York Times'

Agências internacionais,

24 de março de 2008 | 12h10

O senador John McCain pensou em deixar o Partido Republicano e ingressar no Democrata pelo menos duas vezes, segundo afirmou o jornal The New York Times em sua edição digital nesta segunda-feira, 24, que cita momentos pouco conhecidos da trajetória política do virtual candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos com democratas da base do partido e até mesmo com o ex-candidato John Kerry, a quem se ofereceu para ser vice-presidente da chapa democrata. Veja também:Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  O primeiro flerte do aspirante republicano foi em 2001. O artigo do Times assinala que McCain falou sobre deixar o partido com diferentes políticos democratas após as eleições presidenciais de 2000, em conversas com fortes representantes como Edward M. Kennedy e John Edwards. McCain acreditava que estava sozinho diante dos postulados políticos que os republicanos defendiam. Segundo o NYT, McCain não estava de acordo com a etiqueta republicana e buscava sua própria voz política, já que estava muito impaciente com o protagonismo de George W. Bush e bastante frustrado com a legenda. De acordo com o El Pais, esta informação é ilustrada com distintos testemunhos de senadores, como o antigo líder democrata no Senado Tom Daschle. "Ele se mostrava como um autêntico pragmático". Conversas com Kerry O outro episódio acontecem em 2004, quando o senador John Kerry se apresentou como candidato democrata à Presidência nas eleições em que George W. Bush foi reeleito. McCain manteve conversas com Kerry e chegou a se oferecer para ser o seu vice-presidente na candidatura presidencial. Kerry não falou sobre as conversas, mas o NYT cita como fontes antigos responsáveis pela campanha do político democrata que reconheceram que McCain se mostrou "interessado" em compartilhar a chapa com Kerry para tirar Bush da Casa Branca. Um dos estrategistas de Kerry aponta que McCain nunca se mostrou surpreso com a possibilidade de efetivar a mudança de partido. Na mira das eleições presidenciais de novembro, McCain vem se intitulando de "republicano conservador e de base" em seus discursos como pré-candidato. Boa parte dessa afirmação corresponde à necessidade de se reafirmar diante dos membros do partido. As desavenças com Bush foram sondadas porque não se caracteriza na disciplina republicana. O senador já chegou a receber o endosso do presidente americano nesta disputa. McCain co-patrocinou com o senador democrata Edward Kennedy um projeto de lei, fracassado, para regularizar a situação de 12 milhões de imigrantes ilegais no país. Ele também foi um dos três únicos senadores republicanos que votaram contra o desconto de impostos defendidos por Bush, porque ela não acompanhava a conseqüente redução de gastos do governo. Embora McCain tenha apoiado a invasão do Iraque, sua crítica às estratégias adotadas nos pós-guerra seguida pelo Pentágono são constantes.

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