McCain critica arrecadação de fundos da campanha de Obama

Sistema de doação direto dos eleitores 'rompe conceito que se tinha após Watergate', diz republicano

Efe,

19 de outubro de 2008 | 21h36

O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, criticou neste domingo, 19, seu adversário Barack Obama por arrecadar dinheiro de doadores particulares, algo que, segundo ele, poderia levar em um futuro a outro escândalo parecido ao de Watergate. O candidato democrata anunciou neste domingo que arrecadou US$ 150 milhões em setembro de doadores particulares, "o que rompe todo o conceito que se tinha após Watergate", declarou McCain em entrevista durante o programa "Fox News Sunday." Veja também:Powell anuncia apoio a Obama; candidato tem arrecação recordeObama reúne multidão em Estado republicanoConfira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Obama é o primeiro candidato presidencial que abandonou o financiamento público para as eleições gerais desde que se criou este sistema, em 1976, após o escândalo de Watergate. Segundo este sistema, os candidatos se comprometem a gastar apenas os fundos públicos, e não podem obter dinheiro através de contribuições particulares. McCain, que optou por este sistema, tem à sua disposição apenas US$ 84 milhões em fundos públicos, enquanto Obama pode gastar um valor ilimitado de dinheiro. O escândalo de Watergate explodiu em junho de 1972, quando cinco homens, que buscavam informação confidencial para conseguir a vitória republicana e reeleger Richard Nixon, foram detidos na sede do Comitê Nacional Democrata. "A história nos mostra que quantidades ilimitadas de dinheiro em campanhas políticas" levam "a um escândalo", afirmou o senador pelo Arizona. McCain afirmou que o senador por Illinois "não disse a verdade" quando prometeu usar os fundos públicos. "Não cumpriu sua palavra", acrescentou. O senador republicano reconheceu que Obama não está fazendo nada de ilegal ao aceitar fundos particulares, mas explicou que fica preocupado com a possibilidade de a decisão do democrata servir de precedente para futuras eleições. "O dique se rompeu. Veremos agora grandes quantidades de dinheiro fluindo para as campanhas políticas e sabemos pela história que isto sempre provoca escândalos", afirmou McCain. Perguntado se Obama está comprando as eleições como o porta-voz de McCain tinha sugerido, o candidato republicano disse que é possível "fazer esta alegação." O comitê de campanha de McCain argumenta que as arrecadações de Obama não são transparentes, pois somente as doações individuais que superam os US$ 200 têm que ser declaradas ao Comitê Federal Eleitoral (FEC). No início de outubro, o Comitê Nacional Republicano apresentou uma queixa formal perante o FEC na qual alegava que o candidato democrata aceita contribuições ilegais e doações de estrangeiros. Os republicanos pediram à FEC que faça uma auditoria de todas as contribuições que Obama recebeu, até daquelas que o comitê de campanha não tem que declarar por lei. O Comitê Republicano também solicitou à FEC que investigue se a campanha de Obama falhou em seu dever de renunciar às contribuições que excedem os limites fixados pela lei. A lei federal proíbe contribuições de estrangeiros e as doações individuais estão limitadas a US$ 2.300 por cada ciclo eleitoral.

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