McCain encerra convenção aquecida por discurso da vice

Candidato aceita nomeação nesta quinta; Sarah Palin agita republicanos em evento ofuscado por escândalos

Agências internacionais,

04 de setembro de 2008 | 11h56

O senador John McCain aceitará nesta quinta-feira, 4, oficialmente a candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, em discurso no qual apresentará a mensagem que pretende levar às urnas nas eleições de novembro. McCain discursa um dia após sua controversa candidata a vice, a governadora do Alasca, Sarah Palin, agitar os delegados da convenção e entusiasmar a convenção ofuscada pelas revelações sobre o seu passado e pela passagem do furacão Gustav no sul do país.   Veja também: Vice de McCain se compara a pitbull e ataca Obama Galeria de fotos da convenção  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    Na noite desta quinta-feira, os holofotes se voltam para McCain. O ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, de 72 anos, faz seu principal discurso desde o início da campanha, quando milhões de americanos estarão atentos aos aparelhos de TV. McCain está alguns pontos percentuais atrás de Obama nas pesquisas de intenção de voto e terá de enfrentar o desejo dos americanos por mudanças após oito anos do impopular governo de George W, Bush, seu colega de partido.   Segundo um de seus assessores, Mark Salter, McCain fará um apelo pela colaboração entre partidos e explicará sua "disposição para liderar e seus planos para desafiar os poderes estabelecidos". No discurso, o candidato pedirá para que todos os cidadãos privilegiem os interesses do país ao invés dos individuais.   Entre os oradores desta noite estão o governador de Minnesota e o suposto finalista na seleção de McCain para o posto de vice na chapa, Tim Pawlenty, derrotado por Palin. O evento contará com intervenções do ex-senador Bill Frist e do senador da Flórida e ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Mel Martínez, assim como o ex-secretário de Segurança Nacional Tom Ridge.   Durante o encontro dos delegados nesta quinta, será realizada a votação para nomear oficialmente Sarah Palin como candidata a vice. Ela passou de uma desconhecida para o eleitorado americano para uma figura polêmica na política americana, e teve na quarta a oportunidade de reapresentar-se aos eleitores após uma série de eventos embaraçosos - entre os quais, a gravidez de sua filha de 17 anos, Bristol, que deixou a governadora ultraconservadora e a campanha republicana na defensiva. Evangélica devota, pró-armas e opositora ferrenha do aborto e do casamento gay, Sarah trouxe euforia à base conservadora do partido, que tinha reservas sobre McCain. Mas o restante dos republicanos e independentes ainda está desconfiado com a escolha.   As críticas irônicas de Palin ao candidato democrata, Barack Obama, e à elite de Washington animaram os republicanos, que buscam sinais de que ela e McCain possam vencer as eleições presidenciais de 4 de novembro. A governadora do Alasca adotou uma retórica anti-Obama, que vinha sendo deixada de lado na convenção republicana de quatro dias, e rebateu as críticas de Obama de que sua experiência como governadora e ex-prefeita da pequena cidade de Wasilla, no Alasca, não era equivalente a dele, como líder de uma grande campanha presidencial. "Acho que a prefeita de uma grande cidade é algo como um 'organizador comunitário', exceto por você ter responsabilidades de verdade", disse ela, numa referência ao início da carreira de Obama em Chicago.   Os democratas afirmam que McCain, ao escolher a relativamente desconhecida e pouco testada Palin, perdeu o argumento de que Obama é muito inexperiente para ser presidente. Palin também criticou o estilo retórico de Obama, destituído de detalhes sobre para onde ele pretende levar o país caso seja eleito, embora ela própria tenha oferecido poucas especificidades políticas. "Ouvindo ele falar, é fácil esquecer que se trata de um homem que escreveu dois livros de memórias e sequer uma lei ou reforma importante, nem mesmo no Senado estadual de Illinois... O que ele realmente espera conseguir depois de reverter o fluxo das águas e curar o planeta?", questionou.   Ela fez questão de lembrar de um comentário feito por Obama durante as primárias democratas contra Hillary Clinton em que afirmou que as pessoas das cidades pequenas são apegadas às armas e à religião. "Eu acrescentaria que, em cidades pequenas, nós não sabemos o que pensar de um candidato que derruba elogios sobre a classe trabalhadora quando ela está ouvindo, e depois fala sobre como ela se apega de maneira amarga às armas e à religião", disse. A platéia adorou e aplaudiu em aprovação carregando cartazes em que se liam "Palin Power" (Poder Palin).   A noite se transformou em um libelo contra a "mídia de esquerda". "Eu queria agradecer à mídia de elite por unir o partido", discursou o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee, que disputou a primária republicana. "E para aqueles que falam da experiência de Sarah, eu gostaria de lembrar que ela recebeu mais votos concorrendo à prefeitura de Wasilla do que Joe Biden concorrendo à Presidência dos Estados Unidos", disse Huckabee. Biden, vice de Obama, disputou a primária democrata.   Sarah tentou reforçar suas credenciais em política doméstica, falando sobre energia. "Em janeiro, em um governo McCain-Palin, nós vamos construir mais oleodutos, mais usinas nucleares, criar empregos com carvão limpo e avançar em fontes alternativas como energia solar, eólica e geotérmica". O marido, seus cinco filhos e o namorado de sua filha Bristol, Levi Johnston, estavam na platéia. Sarah fez questão de mencionar que seu filho mais velho é um soldado e seu filho mais novo tem problemas (ele tem síndrome de Down).   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)   Matéria atualizada às 13h40.

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