McCain evoca populismo na Flórida; Obama se afasta da disputa

Republicano diz que 'não pode perder' no Estado-chave; democrata suspende campanha para visitar avó doente

Agências internacionais,

23 de outubro de 2008 | 14h51

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, avançava com sua retórica populista no decisivo Estado da Flórida nesta quinta-feira, 23, enquanto seu rival democrata, Barack Obama, se preparava para viajar ao Havaí para visitar sua avó de 85 anos, que está gravemente doente, cedendo espaço ao adversário do Partido Republicano, John McCain, menos de duas semanas antes da eleição. "Não devemos taxar mais nossos pequenos negócios, como o senador Obama quer fazer", declarou McCain em um comício. "A Flórida é um campo de batalha. Temos que ganhá-lo", continuou, segundo o jornal The New York Times.    A pausa ocorrerá no momento em que os dois candidatos dão início à reta final rumo às eleições de 4 de novembro. Pesquisas de opinião mostram Obama ampliando sua vantagem em relação a McCain. Uma nova pesquisa na Flórida, um Estado-chave para a disputa presidencial deste ano, mostrou Obama à frente de McCain, com 49% a 44%. No entanto, a mesma pesquisa, da Quinnipiac University, divulgada em 1º de outubro mostrava uma vantagem maior do democrata, de oito pontos percentuais. A sondagem também traz números para outras regiões-chave na eleição, Ohio e Pensilvânia, em que o democrata aparece na frente. Eleitores de Ohio deram a Obama uma vantagem de 14 pontos, numa relação de 52% a 38%. Na Pensilvânia, o democrata lidera com 13 pontos de vantagem, em relação de 53% a 40%. Essas pesquisas refletem outros resultados que mostram o democrata com uma liderança de Estado para Estado que está se aproximando dos 270 votos no colégio eleitoral necessários para a vitória.   Veja também: Enquete: Você votaria em John McCain ou Barack Obama?  Obama mantém liderança em três Estados-chave, diz pesquisa Vitória de McCain colocaria EUA em 'risco', diz Obama Vitória de Obama encorajaria inimigos dos EUA, diz McCain Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA     Nesta quinta-feira, Obama declarou à rede de televisão CBS que não consegue se imaginar fazendo o tipo de campanha negativa feita por McCain. Ele afirmou que as acusações de que é socialista e que tem "ligações com terroristas", como prega a campanha de McCain, representam "o tipo de coisa que eu não consigo me imaginar dizendo sobre um oponente."   McCain começou a chamar o rival de socialista após um encontro que Obama teve este mês no debate final presidencial com Joe Wurzelbacher, a quem o republicano apelidou de "Joe, o encanador". Joe questionou Obama se seu plano para aumentar os impostos para os americanos que ganham mais de US$ 250 mil por ano iria impedi-lo de comprar a loja de encanamento em que trabalha. "Sarah Palin e eu não iremos elevar seus impostos, meus amigos. Nós queremos que você fique rico", declarou McCain a eleitores. Palin arrancou aplausos da platéia ao zombar de Obama, chamando-o de "Barack, o distribuidor de riqueza."   Depois de um comício a ser realizado na metade do dia, em Indianápolis, Obama colocará seu avião de campanha em uma viagem de 11 horas até Honolulu, incluindo aí uma parada para reabastecimento. O candidato ficará menos de 24 horas em terra antes de regressar para Nevada, na sexta-feira à noite. Mas a campanha de Obama não ficará paralisada na ausência dele. Antes de partir, o democrata gravará uma entrevista com o canal ABC a ser transmitida na sexta-feira. E a incansável campanha publicitária alimentada com o recorde de arrecadação obtido pelo candidato continuará a ir para o ar. A mulher dele, Michelle, e o candidato a vice-presidente da chapa democrata, Joe Biden, também continuarão realizando eventos de campanha.   Obama ficará em Honolulu na sexta-feira visitando Madelyn Dunham, a mulher que ajudou a criá-lo e a quem chama com carinho de "Toot" -- abreviação de "tutu", a palavra havaiana para avó. Madelyn, 85, quebrou recentemente o quadril e está bastante doente. Obama disse que não deseja repetir o erro cometido com sua mãe, que morreu de câncer antes de o filho ter conseguido ficar ao lado dela. "Nós sabíamos que ela não estava bem. Mas, vocês sabem como é, o diagnóstico era tal que acreditamos ter um pouco mais de tempo. E não tivemos", disse Obama a respeito da morte de sua mãe, em uma entrevista concedida ao canal CBS e divulgada na quinta-feira. "De forma que quero ter certeza de não cometer o mesmo erro duas vezes."   Obama costuma falar em seus comícios sobre seus avós. O avô dele lutou na Segunda Guerra Mundial e a avó trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros. Os dois mais tarde se mudaram para o Havaí, onde ela se tornou vice-presidente de um banco.   Voto antecipado   Cerca de 3,6 milhões de americanos já votaram na disputa entre Obama e McCain. A estimativa é de que um terço dos votos seja depositado antes do dia 4. "Acho isso maravilhoso", disse a professora aposentada Betty Fultz, 78 anos, que saiu de uma seção eleitoral de Cincinnati dizendo ter votado em Obama. Sua filha Rosalind, 55 anos, disse que ela e a mãe quiseram evitar as filas, mas também estavam atendendo ao chamado de Obama, que pediu aos eleitores que votassem antecipadamente.   Os negros devem ter nesta eleição um comparecimento recorde às urnas, e isso pode contribuir fortemente para a vitória de Barack Obama em alguns Estados-chave. Os negros constituem cerca de 12% do eleitorado e são o grupo étnico mais fiel ao Partido Democrata, embora historicamente seu comparecimento às urnas seja inferior à média. Neste ano, as pesquisas mostram que mais de 90% dos eleitores negros devem marcar o nome de Obama, em parte por solidariedade racial com o candidato, que pode se tornar o primeiro presidente afro-americano da história dos EUA.   "Há todas as indicações de que o comparecimento negro em 2008 vai superar todos os registros existentes, nacionalmente e nos Estados individualmente", disse nesta semana um relatório do Centro Conjunto para os Estudos Políticos e Econômicos. Isso pode influenciar o resultado em Estados onde há um eleitorado negro significativo, como Flórida, Virgínia, Carolina do Norte e Indiana, mas analistas dizem que ainda não está claro se apenas o voto negro seria capaz de influenciar o resultado em determinado Estado.

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