McCain perde a última oportunidade de virar a disputa nos EUA

Republicano faz seu melhor debate, mas não afeta Obama; pesquisas dão vitória do encontro ao democrata

Agências internacionais,

16 de outubro de 2008 | 10h17

Eles guardaram o melhor para o final. Encurralado, o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, teve na noite terça-feira, 15, o seu desempenho mais expressivo nos debates eleitorais deste ano, mas o democrata Barack Obama não se deixou abalar e parece ter saído fortalecido do encontro. Não houve, no auditório da universidade de Hempstead, Nova York, momentos que pudessem mudar o rumo da campanha para a eleição de 4 de novembro, na qual as pesquisas indicam favoritismo de Obama.   Veja também: McCain pressiona Obama em debate decisivo Veja as imagens do debate presidencial  Confira os números das pesquisas nos Estados  Veja a cobertura online no blog Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Segundo a CNN, Obama foi o melhor para 58% dos entrevistados; McCain teve 31%. Pela sondagem da CBS, o democrata foi o melhor para 53% dos entrevistados, contra 22% que optaram por McCain; 24% acharam que o debate ficou empatado. McCain deu o tom da noite ao rejeitar o argumento de Obama de que o republicano seria um clone do impopular presidente George W. Bush. "Senador Obama, não sou o presidente Bush. Se o sr. quisesse ter concorrido contra o presidente Bush, deveria ter concorrido há quatro anos", afirmou. E, no último dos três debates, McCain tentou repetidamente despertar a desconfiança em torno de Obama. Ao contrário das ocasiões anteriores, desta vez ele citou os contatos do rival com o ex-militante esquerdista William Ayers, fundador de um grupo responsável por atentados contra o Pentágono e o Congresso nas décadas de 1960 e 1970.   Ayers foi integrante do grupo radical Weather Underground, que pôs bombas no Pentágono e outros prédios públicos nos anos 60. Obama atuou no conselho de uma entidade filantrópica com Ayers e ele deu uma festa para o senador em sua casa. "Ayers cometeu atos horríveis 40 anos atrás, quando eu tinha 8 anos. E, dez anos atrás, eu atuei no mesmo conselho com Ayers e outras pessoas, incluindo republicanos", disse Obama. "Se você quiser saber com quem me associo: na área econômica, associo-me com Warren Buffett e com o ex-presidente do Federal Reserve (o banco central americano) Paul Volcker; em política externa, estou associado a meu vice, Joe Biden, e ao senador republicano Dick Lugar."   McCain também repetiu diversas vezes que Obama iria elevar os impostos, acusou-o de ser contra o livre comércio e referiu-se ironicamente à "eloqüência" do democrata. Obama começou na defensiva, mas foi bastante convincente ao explicar suas ligações com Ayers e criticar a campanha negativa de McCain. "O povo americano merece que a campanha se concentre, nas próximas semanas, na questão que é realmente importante para o país: a crise econômica", disse.   "Não achei que Obama estivesse confortável desta vez como estava nos dois outros debates, mas realmente não ouvi nenhuma gafe, nenhum grande erro", disse Larry Sabato professor de Ciência Política na Universidade da Virgínia. Por causa disso, segundo o acadêmico, o democrata "poderia até ser considerado vencedor". "Esse foi o melhor debate de McCain", disse o estrategista republicano Scott Reed. "Ele manteve Obama na defensiva na maior parte da noite e fechou com confiança. Confiança e discernimento são o que vai importar nesse negócio."   McCain reagiu de forma enérgica quando Obama o comparou, pela enésima vez, com George W. Bush. "Eu não sou o presidente Bush. Se você queria disputar a presidência com ele, deveria ter-se candidatado quatro anos atrás. Eu vou conduzir este país para um novo rumo."   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e Reuters)  

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