McCain promete 'mudança'; Obama reconhece 'êxito' no Iraque

Com discursos trocados, republicano usa lema do rival; guerra funcionou como ninguém esperava, diz democrata

Agências internacionais,

05 de setembro de 2008 | 07h31

Numa campanha em que ambos os lados disputam qual dos dois é contra as atuais instituições, o candidato republicano, John McCain, tentou se apoderar do tema "mudança", o slogan de seu rival democrata, Barack Obama, ao aceitar a indicação na Convenção Republicana na noite de quinta-feira, 4. No mesmo dia, o candidato democrata, Barack Obama, um forte opositor à guerra do Iraque, reconheceu que a escalada militar realizada pelo governo americano em janeiro de 2007 "funcionou como ninguém podia esperar".   Veja também: Vice de McCain se compara a pitbull e ataca Obama Galeria de fotos da convenção  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    Na última noite da Convenção Nacional Republicana, o senador do Arizona aceitou a indicação do partido para concorrer à Presidência dos EUA e se apresentou como a única alternativa para os eleitores que querem acabar com a paralisia em Washington e com a tradição de políticos "que trabalham para si mesmos" e não para o país. "Quando nós dizemos que vamos mudar Washington, vocês podem contar com isso", discursou McCain - que repetiu a palavra "mudança" nove vezes.   O republicano abriu seu discurso com um elogio ao adversário, Obama. "Você tem meu respeito e minha admiração", afirmou. "Apesar de nossas diferenças, há mais coisas a nos unir do que a nos dividir", completou. "Mas não tenham dúvida, meus amigos, nós vamos ganhar esta eleição", discursou. "Nós somos ambos compatriotas americanos, uma associação que para mim significa mais do que qualquer outra", afirmou McCain.   Apesar de McCain estar em Washington há mais de 30 anos, ele quer enfatizar sua faceta independente , que não segue cegamente as orientações do partido, colabora com os democratas e quer reformar o governo. "Eu lutei contra a corrupção, e não importava se os culpados eram republicanos ou democratas", disse. "Eu lutei contra os gastadores dos dois partidos, que desperdiçam seu dinheiro em coisas de que você não precisa, enquanto você luta para pagar o supermercado". McCain criticou os republicanos "que caíram na tentação da corrupção" e prometeu criar empregos e abrir novos mercados para os produtos e serviços americanos.   Segundo a BBC, o republicano não enfatizou a suposta inexperiência do democrata, como fizeram alguns dos principais líderes republicanos nos últimos dias - entre eles, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que classificou Obama como "o candidato presidencial mais inexperiente dos últimos cem anos". Mas a despeito do ar menos belicoso do que o de seus correligionários, McCain procurou contrastar suas visões com as do rival, classificando-o como um adepto de políticas ultrapassadas. "A assistência governamental para trabalhadores desempregados foi voltada para a economia dos anos 50. Isso vai mudar na minha gestão. Meu oponente promete trazer de volta velhos empregos, varrendo a economia global", acusou.   McCain lembrou seu passado como herói de guerra do Vietnã, onde passou mais de cinco anos num campo de prisioneiros, e recordou os sofrimentos por que passou na época. "Eu me apaixonei por meu país quando era prisioneiro em outra nação (...) Meu país me salvou. Meu país me salvou e eu não posso esquecê-lo. E eu vou lutar por ele enquanto estiver vivo". Ele também lembrou que enfrentou dificuldades para conseguir a indicação do Partido Republicano, e que não deixou de assumir posições impopulares, como a defesa do aumento de tropas no Iraque. "Eu disse que preferia perder a eleição do que ver meu país perder a guerra", discursou. McCain elogiou sua companheira de chapa, a candidata a vice-presidente e governadora do Alasca Sarah Palin, dizendo que ela é a "parceira certa" para ajudar a "sacudir Washington".   Obama X Iraque   Obama, que votou contra o aumento de tropas no Iraque, admitiu o "êxito" da operação militar no Iraque em uma entrevista ao jornalista Bill O'Reilly, da Fox. Esta é a primeira vez desde o começo da campanha eleitoral que Barack Obama oferece uma entrevista a esta emissora, que os democratas criticam por considerar que apóia os republicanos.   Na parte da entrevista exibida pelo canal, o jornalista perguntou ao candidato democrata sobre a "Guerra contra o Terror", o Irã, Iraque e Paquistão. Durante a conversa, Bill O'Reilly pressiona Obama para que ele reconheça que se equivocou em 2007, quando votou contra o aumento das tropas no Iraque de 130.000 para 168.000 soldados.   Obama não admitiu que estava errado, mas reconheceu que "a escalada funcionou como ninguém podia esperar, e que o nível de violência caiu no Iraque". No entanto, o candidato democrata defendeu sua decisão de se opor a esta escalada, porque "vínhamos de cinco anos de gestão desastrosa desta guerra".   (Com Patrícia Campos Mello e Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo)

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