McCain tenta provar que idade e saúde não afetam candidatura

Prontuário médico do virtual candidato republicano deve ser divulgado pela sua campanha em abril

Reuters,

27 de março de 2008 | 11h13

O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, é acima de tudo um sobrevivente. Passou cinco anos e meio como preso de guerra no Vietnã e ainda superou um melanoma que poderia ser letal. Aos 71 anos, ele espera se tornar a pessoa mais velha já eleita para um primeiro mandato presidencial nos EUA. Mas estrategistas republicanos e democratas esperam que a idade não se torne tema da campanha.   Veja também: Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A equipe de McCain pretende divulgar detalhes sobre seu prontuário médico em meados de abril. O senador se submeteu neste mês a exames físicos e monitorou a possível reincidência do câncer de pele. De acordo com sua campanha, estava tudo bem.   Até agora, a atribulada agenda de trabalho de McCain não dá espaço a questionamentos. Ele realiza longos eventos nas cidades aonde vai, com discursos e debates com eleitores, e conversa com jornalistas dentro do ônibus que o leva aos eventos. Nessa rotina, assessores tentam convencê-lo a abandonar o "junk food", base alimentar de todas as campanhas políticas.   "Passei a maior parte do tempo com ele entre o Dia do Trabalho [em setembro] e o começo de março, quando ele trabalhava sete dias por semana, 14 horas por dia, e sou dez anos mais novo e não conseguia acompanhá-lo", disse Charlie Black, assessor do candidato. Segundo Black, McCain saiu da esteira de corrida, onde fez avaliação cardíaca, orgulhoso por ter "o desempenho de um homem de 47 anos".   Nos últimos 15 anos, McCain fez quatro tratamentos contra melanoma. O caso mais grave foi em 2000, quando ele teve de se submeter a uma cirurgia no rosto devido ao câncer, o que o deixou com uma saliência e uma longa cicatriz no lado esquerdo da face. Desde então, não houve mais diagnóstico de câncer.   Décadas antes, em 1967, McCain quase morreu por causa de um incêndio a bordo do porta-aviões Forrestal, onde ele servia como piloto da Marinha. No mesmo ano, seu caça foi abatido em Hanói. Ele conseguiu se ejetar, mas quebrou uma perna e dois braços e teria quase se afogado ao cair de pára-quedas num lago. Como prisioneiro dos norte-vietnamitas, ele afirma que foi submetido a torturas que lhe quebraram ambos os ombros, o que praticamente impede que levante os braços. Sofreu também lesões nas costelas e em um joelho.   Sabe-se que McCain toma o remédio Vytorin, para controlar o colesterol, além de vitaminas. Exercita-se com caminhadas nos morros perto da sua fazenda, em Sedona, no Arizona. Os médicos dizem não haver motivo para McCain não exercer a presidência. Mas eles lembram que há certos fatores de risco naturais para norte-americanos com mais de 70 anos, como a possibilidade de doenças cardíacas e câncer.

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