McCain vai a debate para tentar conter vantagem de Obama

Pesquisas divulgadas nesta semana mostram até oito pontos de diferença entre democrata e republicano

Reuters,

07 de outubro de 2008 | 09h24

O candidato republicano John McCain espera usar o debate da noite desta terça-feira, 7, para conter a ascensão do democrata Barack Obama e retomar o rumo de sua campanha à Casa Branca. A menos de um mês da eleição, o segundo dos três debates previstos dá a McCain uma das suas melhores chances para reverter o crescimento de Obama nas pesquisas das últimas semanas, que chegam a dar oito pontos de vantagem ao rival.  Veja também:Obama lidera em quatro Estados cruciaisEm dia de debate, Obama sai na frente em pesquisaObama vincula McCain a escândalo financeiroObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA O democrata consolidou sua liderança nas pesquisas nacionais e abriu dianteira também em Estados estratégicos. Na opinião dos eleitores, Obama é superior a McCain em questões econômicas, que são justamente as que mais interessam o eleitorado nesta campanha marcada pelo colapso do sistema financeiro. "McCain tem uma grande oportunidade com este debate", disse Peter Brown, diretor-assistente da pesquisa da Universidade Quinnipiac. "Ele tem de mudar a dinâmica e fazer as pessoas reavaliarem Obama". O debate será transmitido pelas emissoras americanas a partir das 22 horas (horário de Brasília). Pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby, divulgada nesta terça-feira, dá a Obama uma vantagem de 3 pontos percentuais sobre McCain. Em outros levantamentos, a liderança do democrata é ainda maior. O instituto Gallup mostrou Obama com oito pontos de vantagem sobre McCain - 50% das intenções de voto contra 42% do rival. A pesquisa da CNN dá a mesma diferença de pontos entre os candidatos, mas com porcentagens diferentes - 53% das intenções de voto para Obama contra 45% para McCain. A crise financeira se agravou na segunda-feira, quando as bolsas despencaram, refletindo os temores de que uma recessão seja inevitável, apesar da aprovação de um pacote de US$ 700 bilhões para ajudar o setor. A campanha de McCain lançou uma ofensiva de ataques contra Obama nos últimos dias, e seus assessores dizem que ele está ávido por desviar o foco da economia. Ele e sua candidata a vice, Sarah Palin, lembraram nos últimos dias da ligação do rival com figuras polêmicas, como o ex-militante da década de 1960 William Ayers e o pastor Jeremiah Wright. Obama reagiu questionando a vinculação de McCain com o financista Charles Keating, pivô de um escândalo envolvendo uma instituição de crédito e poupança que custou bilhões de dólares aos cofres públicos, na virada das décadas de 1980 para 90. O tom agressivo de McCain e as respostas afiadas de Obama ampliam as expectativas de que o debate na Universidade Belmont, em Nashville, no Tennessee, seja explosivo. As últimas oportunidades de McCain para uma virada podem ser neste encontro e no último debate, na semana que vem, em Hempstead, Nova York. "McCain tem mais duas chances sob o seu controle de mudar a corrida, e são os dois debates", disse Todd Harris, consultor republicano que participou da frustrada campanha de McCain à Presidência em 2000. "A menos de um mês do final, cada evento é crucial, e cada grande evento é exponencialmente mais importante do que o anterior." As pesquisas indicam que Obama venceu o primeiro debate, na sexta-feira retrasada. O encontro de terça-feira será num formato menos rígido, com perguntas feitas por indecisos na platéia - um estilo, conhecido como "town hall meeting" (encontro na prefeitura), que McCain gosta e costuma adotar em seus eventos de campanha.

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