Evan Vucci/AP
Evan Vucci/AP

Membros do TPP querem mudar regras para implementar parceria comercial

Cláusula condiciona existência do acordo comercial à presença dos EUA; Japão acredita que parceria agora não faz mais sentido

O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2017 | 03h35

TÓQUIO - Países-membros da Parceria Transpacífico (TPP) planejam reformular regras para que o acordo comercial seja implementado, mesmo após a saída dos Estados Unidos, decretada pelo presidente Donald Trump nesta segunda-feira, 23. O plano esbarra, porém, em uma cláusula que impede a formalização do acordo sem a presença norte-americana.

Trump, que já havia anunciado em sua campanha que retiraria os EUA da aliança comercial caso fosse eleito, assinou nesta segunda-feira, 23, um decreto que torna efetiva esta decisão.

"Há a chance de o TPP prosseguir sem os Estados Unidos. Temos conversado ativamente com outros líderes a respeito disso", afirmou o primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull.

Ainda na segunda-feira, o ministro do Comércio australiano, Steve Ciobo, disse à rádio ABC que vai analisar a possibilidade de incluir no acordo outros países, como Indonésia e até a China.

"Certamente sei que a Indonésia expressou interesse em entrar no TPP e poderíamos ver a possibilidade de convidar a China. Podemos tentar reformular as regras do acordo", disse Ciobo.

Para a entrada em vigor do TPP é necessária a retificação dele por, no mínimo, seus países que representem ao menos 85% da economia do bloco. Por causa dessa cláusula, é indispensável o respaldo de Washington, cuja economia sozinha soma 60% do Produto Interno Bruto (PIB) dos membros da aliança comercial.

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Bill English, também acredita que deve haver um "plano B" para o TPP. Já o ministro do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Eduardo Ferreyros, avaliou a necessidade de conversar sobre o futuro do acordo.

Por sua vez, o governo do Japão considerou que a saída norte-americana torna "sem sentido" o acordo comercial multilateral. "O TPP fica sem sentido sem os Estados Unidos, porque se desequilibra a balança entre os interesses fundamentais", disse nesta terça-feira, 24, o vice-porta-voz do governo japonês, Koichi Hagiuda.

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, disse que o TPP tem como "pilar fundamental a presença dos Estados Unidos" e que o país sul-americano vai reavaliar o acordo. /EFE

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