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Militares admiram o 'herói republicano'

Veterano do Vietnã, McCain tem maioria entre os homens de farda

Lourival Sant´Anna,

03 de novembro de 2008 | 15h55

  Fayetteville, na Carolina do Norte, é aonde se pode chegar mais perto da guerra nos EUA. Aqui, em vez de automóveis, os caminhões-cegonha cruzam a cidade transportando Humvees, os jipes usados pelo Exército americano. Pelo pequeno aeroporto de Fayetteville, classificado em alerta laranja (o segundo nível mais elevado) contra ataques terroristas, transitam militares de todas as Forças, indo ou voltando de missões no Iraque e no Afeganistão.   Veja também:  Voto negro cresce 30% por democrata Latinos decidem em quatro estados Direita cristã se conforma com derrota Crise dá a Obama o voto de operários brancos   A cidade de 210 mil habitantes fica ao lado do Fort Bragg, maior base militar do país, com 65 mil soldados. Com o compromisso de não revelar seus nomes, já que não podem falar de política, o Estado colheu as opiniões dos veteranos e dos que estão partindo para a guerra.   "Acho que o país precisa de mudança", disse um sargento do Exército, usando a palavra-chave da campanha de Obama, como ele negro e de Chicago. "Por razões domésticas, não por causa da guerra no Iraque", explicou o oficial de 43 anos, de partida para o Afeganistão.   Outro sargento negro, de 33 anos, que está voltando do Iraque, votará em Obama porque o considera "mais sensível" à situação das famílias dos militares mortos em combate. "Eu me preocupo que o filho do meu amigo morto possa ir para uma universidade boa", disse o sargento, que perdeu um amigo na guerra. De acordo com a Coalizão de Contagem de Baixas do Iraque, 4.188 militares americanos foram mortos no Iraque. Até agora, 1,6 milhão de militares serviram no Iraque e no Afeganistão.   Preocupações semelhantes podem levar a conclusões diferentes. "Vou votar em McCain porque ele foi militar, apóia-nos e entende melhor a situação em que estamos", disse um soldado do Exército de 20 anos. "Obama é uma pessoa boa, fala muito bem", ponderou o soldado, texano de origem latina. "Se nas próximas eleições ele for candidato e não estivermos mais em guerra, votarei nele."   "A maioria dos militares apóia McCain", assegurou um comandante da Marinha, de partida para o Afeganistão. "Ele é veterano do Vietnã, herói de guerra e, além disso, os militares em geral são conservadores."   O comandante não partilha da idéia de que a guerra do Iraque foi desnecessária. "Estamos orgulhosos de nossas realizações no Iraque", disse o militar branco, enquanto olha uma foto da filha de quatro anos e do filho de três, em seu notebook. "A situação está muito melhor agora." De qualquer forma, acrescentou o militar, "seguimos nosso comandante-chefe, seja ele Bush, Obama ou McCain".   Com um aparelho ortopédico no joelho direito, ferido no Iraque, um sargento branco do Tennessee, de 31 anos, brinca com sua filha de 3 em um shopping center da cidade. "Ainda não pude fazer pesquisas e não sei a respeito de outras áreas", admitiu o sargento. "Mas levo em conta o fato de que McCain é ex-militar."   Nem todos os militares, porém, priorizam esse aspecto. "Para mim, o importante é encontrar alguém que seja capaz de arrumar a economia", disse um sargento de 27 anos, de origem latina, casado e com uma filha de 4. "Ainda não sei qual dos dois é capaz", continuou o militar. "Se Hillary Clinton fosse candidata, votaria nela."   É difícil um militar da ativa criticar a guerra diante de estranhos. William Rogan, de 27 anos, não está mais na ativa. Como sargento da Força Aérea, serviu três vezes no Iraque - em 2002, 2004 e 2005. Essa experiência o afasta de McCain, embora ele se considere um "conservador" em questões sociais, como o aborto.   "Estou fora, quero ter uma família em vez de ficar lutando o tempo todo", disse Rogan, que tem três filhos, espera o quarto e trabalha como motorista em Iowa City. Apesar da rejeição a McCain, ele não sabe em quem votar. "Tenho medo de Obama. Acho ele muito eloqüente, mas não diz tudo o que pensa."

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