Mitt Romney freia McCain e vence primária de Michigan

Resultado deixa mais equilibrada e imprevisível a disputa entre pré-candidatos republicanos

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo , e Agências Internacionais

16 de janeiro de 2008 | 04h22

O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney ganhou a primária republicana de terça-feira, 15, em Michigan, seu Estado natal, obtendo o impulso de que necessitava para levar adiante sua campanha depois de terminar em segundo lugar em duas prévias na semana passada. Apurados 100% dos votos, Romney estava com 39%, seguido pelo senador John McCain, com 30%, e pelo ex-governador de Arkansas Mike Huckabee, com 16%.   Hillary e Obama prometem encerrar polêmica Resultado em Michigan 'embola' disputa republicana Conheça os pré-candidatos Cobertura completa das eleições  Eleições nos EUA    "Esta é uma vitória do otimismo sobre o pessimismo ao estilo de Washington", comemorou Romney. "O povo de Michigan está dizendo que acredita em alguém que vai lutar por ele."   Do lado democrata, numa primária sem valor na prática, a senadora Hillary Clinton venceu com 55% dos votos - depois que seus principais rivais retiraram seus nomes da disputa no Estado -, mas não obteve nenhum delegado. Isto porque o comando nacional do Partido Democrata já havia decidido excluir todos os delegados de Michigan de sua convenção de agosto, como punição contra a direção partidária estadual.   Ao superar McCain, Romney evitou que o senador, vitorioso no dia 8 em New Hampshire e líder nas pesquisas nacionais entre os republicanos, deslanchasse como favorito na disputa pela candidatura do partido à presidência - que agora volta a ficar embolada e imprevisível. Com a vitória, Romney soma, segundo estimativa, 42 delegados para a convenção nacional do Partido Republicano (12 a mais do que tinha). Huckabee soma 21 e McCain, 19.   Os outros dois protagonistas da campanha republicana, Rudolph Giuliani (que obteve 3% dos votos) e Fred Thompson (4%), ficaram em situação difícil. Eles praticamente abandonaram as primeiras prévias americanas para dedicar todos os seus esforços às primárias da Flórida, no dia 29, e à Superterça, no dia 5, quando 22 Estados escolherão 40% dos delegados que terão direito a voto na convenção nacional do partido, marcada para setembro em Minneapolis-Saint Paul.   Depois de gastar US$ 50 milhões na corrida, Romney, derrotado em Iowa e em New Hampshire, era quem mais precisava de uma vitória para continuar forte na disputa. Para sair vitorioso em Michigan, Romney apostou nos laços afetivos do eleitorado. Em vários discursos ele se denominou "um filho que volta ao lar": Romney nasceu em Michigan e seu pai foi governador do Estado nos anos 60.   Romney também abandonou a ortodoxia econômica dos republicanos e abraçou o populismo, até então característica de Huckabee. Michigan é o Estado com o maior índice de desemprego dos EUA - cerca de 7%. A principal razão é o fato de suas montadoras terem sido atingidas pela concorrência estrangeira.   O populismo que Romney resolveu copiar fez de Huckabee um fenômeno. Tanto que Huckabee ultrapassou Giuliani nas pesquisas nacionais. Seguindo o tom do adversário, Romney culpou os burocratas de Washington, leia-se McCain, pelos problemas econômicos de Michigan. O vitorioso de ontem criticou as propostas de controle de emissões de poluentes (apoiadas por McCain) como forma de atenuar o aquecimento global, dizendo que essas iniciativas estão enfraquecendo a indústria automobilística.   Hillary e Obama baixam o tom   Preocupados com o risco de cisão entre os democratas, que ameaçaria a vitória em novembro, a senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama, principais pré-candidatos do partido, baixaram ontem o tom de suas críticas sobre a questão racial. "Tanto eu quanto o senador Obama sabemos que só estamos hoje nesta posição por causa de líderes como Martin Luther King", declarou Hillary. "Acho que tanto a senadora Hillary quanto o ex-presidente Bill Clinton estão do lado dos direitos civis", disse Obama. "É claro que tem gente que não vota em mim porque sou negro. Assim como há pessoas que não votam em Hillary porque ela é mulher", acrescentou o senador.

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