'Mundo não está fazendo o bastante pelo Zimbábue', diz Obama

Candidato democrata afirma que comunidade internacional deve fazer mais pressão a Mugabe para resolver crise

Reuters,

25 de junho de 2008 | 21h05

O candidato democrata à Presidência americana Barack Obama disse nesta quarta-feira, 25, que a comunidade internacional deve fazer mais para tentar resolver a crise política no Zimbábue e pressionar o presidente zimbabuano Robert Mugabe. Ele apontou a África do Sul como um dos países que deveriam pressionar Mugabe, de 84 anos, que se recusa a deixar o poder.  Veja também:Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  "O que está acontecendo no Zimbábue é trágico. O país costumava ser o celeiro da África. Mugabe perpetrou uma extraordinária violência contra seu próprio povo", disse Obama, em uma entrevista coletiva em Chicago. "Não penso que apenas as Nações Unidas devam continuar a aplicar o máximo possível de pressões ao governo de Mugabe, mas particularmente outras nações africanas, incluindo a África do Sul. Acredito que (os países) devam ser mais firmes ao condenar a extraordinária violência que toma lugar lá", acrescentou. "E francamente, eles ficaram quietos por muito tempo e permitiram que Mugabe se engajasse nesse tipo de retórica anticolonial, que costuma distrair de suas profundas falhas como líder", completou Obama. Na maior pressão contra o governo de Mugabe, três países vizinhos do Zimbábue pediram nesta quarta que a eleição presidencial, que acontecerá na sexta-feira, seja adiada. Para eles, devido à onda de violência, o resultado do pleito não seria legitimado. O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, está refugiado na embaixada holandesa em Harare, capital zimbabuana, após desistir do segundo turno das eleições pela onda de violência, que já matou cerca de 90 pessoas e desalojou outras 200 mil. O governo disse que irá em frente com o pleito, apesar das duras repreensões da comunidade internacional e pedidos de adiamento. "O que fica desta eleição é uma completa e total trapaça", disse Obama, repetindo o discurso do presidente americano George W. Bush que também condenou o governo de Harare nesta quarta.  "Não acredito que qualquer resultado desta votação permitirá que Mugabe clame qualquer tipo de legitimidade como líder eleito democraticamente no Zimbábue", concluiu o senador democrata.

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