Novo procurador-geral americano promete banir uso da tortura

Contrapondo-se à política de Bush, Eric Holder critica asfixias simuladas em interrogatórios de prisioneiros

Agências internacionais,

15 de janeiro de 2009 | 18h08

Eric Holder, indicado pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para dirigir o Departamento de Justiça, prometeu nesta quinta-feira, 15, banir o uso da tortura para interrogar prisioneiros, pratica polêmica utilizada durante a guerra con o terrorismo lançada pelo presidente George W. Bush. "Utilizarei todas as estratégias possíveis para fazer nossos adversários fracassar, mas o farei respeitando o texto e o espírito da Constituição", afirmou. Veja também:Oficial da cúpula de Bush admite tortura em GuantánamoPara Bush, prisão não manchou imagem dos EUAO gabinete do presidente eleito  Holder insistiu que as asfixias simuladas, defendidas pelo atual governo, constituem atos de tortura. "As asfixias simuladas são tortura", disse ele na audiência para a confirmação de seu cargo no Comitê Judicial do Senado. A CIA reconheceu ter submetido alguns suspeitos de terrorismo a asfixias simuladas. No entanto, os dois procuradores gerais anteriores dos EUA evitaram se pronunciar sobre se essa prática cumpre os requisitos legais que a constituem como tortura. A asfixia simulada é uma técnica que consiste em jogar água no rosto do prisioneiro, que ao inalá-la tem a sensação de que vai se afogar. O democrata Patrick Leahy, que preside o Comitê Judicial, perguntou a Holder se o presidente dos Estados Unidos tem a autoridade para dar imunidade às pessoas que cometeram atos de tortura, ao que ele responde que "ninguém está acima da lei". Durante seu governo, Bush disse repetidamente que os Estados Unidos "não torturam", mas não definiu o que constitui tortura. Susan Crawford, que supervisiona os tribunais militares especiais dos suspeitos de terrorismo detidos em Guantánamo, reconheceu na quarta-feira que um deles, Mohammed al Qatani, foi torturado. Holder disse que "Guantánamo será fechada", mas não de forma imediata, e esclareceu que determinar o que fazer com seus 250 presos "levará um período extenso de tempo."

Tudo o que sabemos sobre:
Eric HolderBarack ObamaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.