Obama acompanha a ação brasileira no Haiti, diz embaixador

Atuação do Brasil na missão da ONU fez parte de conversa entre diplomata brasileiro e campanha do senador

Reuters,

18 de junho de 2008 | 20h21

O candidato democrata à Presidência americana Barack Obama segue de perto temas ligados à situação do Haiti, onde o Brasil lidera tropas para a estabilização do país, disse nesta quarta-feira, 18, o embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota. O engajamento brasileiro na missão de paz da ONU, com mais de mil soldados, fez parte de uma conversa recente entre Patriota e Anthony Lake, figura-chave na campanha de Obama para política internacional, que trabalhou para Bill Clinton como assessor de segurança nacional.   Veja também: Barack Obama cria comitê de política externa Possíveis vice-candidatos para Obama Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Obama defende a ampliação da ajuda ao país caribenho, principalmente devido à escassez de alimentos, e o aumento da ajuda em treinamento e cooperação para fomentar o desenvolvimento no país mais pobre do hemisfério.   No âmbito geopolítico internacional, Lake comentou que Obama busca levar adiante uma visão multilateralista que prestigia organismos como a ONU em detrimento da formação de novos blocos de países.   Também há uma "disposição favorável" de Obama à ampliação do Conselho Permanente de Segurança da ONU, no qual o Brasil pleiteia uma vaga, e à inclusão do país no G8, grupo de países mais industrializados mais a Rússia, disse Patriota. O rival de Obama para as eleições de novembro, o republicano John McCain, também tem defendido a entrada de Brasil e Índia no G8, mas mostrou objeções a manter a Rússia no grupo. O republicano também defendeu a criação de uma "Liga das Democracias", que aglutinaria governos com posições semelhantes e excluiria países autocráticos, como a China. Lake defende uma idéia semelhante, que chama de "concerto das democracias", algo mais informal, mas o assessor ressaltou que Obama é contrário à idéia. "Ele quer preservar as Nações Unidas", disse Patriota.   O embaixador deixou claro o incômodo do governo brasileiro com a posição de Obama em favor da Colômbia depois do bombardeio a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em território equatoriano, o que gerou uma grave crise entre os dois países. Para Obama, o ataque se justificaria embasado na doutrina de ataque preventivo que os Estados Unidos usaram no Afeganistão e que visa a entrada em território estrangeiro para perseguir terroristas, como é classificada a guerrilha colombiana nos Estados Unidos. Patriota deixou claro que a própria Organização de Estados Americanos (OEA) explicitou em resolução que, para os países da região, a inviolabilidade territorial é sagrada. Ambos também falaram de política energética e etanol, embora o democrata, que vem do Illinois, região produtora de etanol a partir do milho, defenda a manutenção da tarifa imposta ao álcool brasileiro no Congresso americano.

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