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Obama ameaça incluir Coreia em lista do terror

Para o presidente norte-americano, ataque virtual contra a Sony foi ato de vandalismo e não de guerra: 'nos custou muito caro'

O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2014 | 20h06

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem em entrevista à emissora de TV à cabo CNN que o ataque virtual contra a Sony Pictures, atribuído pela Casa Branca à Coreia do Norte, foi um ato de vandalismo e não de guerra. Obama disse também que, em razão do incidente, o governo avalia a possibilidade de devolver Pyongyang à lista de Estados que apoiam o terrorismo.

"Acho que se trata de um vandalismo virtual que nos custou muito caro", disse ele. "Consideramos este assunto sério. Se estabelecermos um precedente no qual o ditador de um outro país pode interferir, através de um ciberataque, em uma cadeia de distribuição de uma empresa ou de seus produtos, começaremos a nos censurar e isso é um problema. Um problema não só para a indústria do cinema, mas para toda a nova indústria."

Apesar de evitar o termo guerra, o presidente americano ressaltou que não se intimidará com ataques dessa natureza. Ele disse que os EUA avaliam a hipótese de reinserir a Coreia do Norte na lista de países que patrocinam o terrorismo, da qual foi retirada há seis anos.

"Nossos critérios para dizer que um Estado apoia o terrorismo são muito claros", disse Obama. "Não fazemos julgamentos apenas com base nas notícias de jornal. Nós revisamos sistematicamente os acontecimentos e, com base em fatos, vamos adotar as determinações no futuro."

As declarações de Obama, gravadas na sexta-feira, foram divulgadas depois que um senador americano pediu uma reconsideração do status da Coreia do Norte, que foi retirada da lista em 2008, na qual permanecem incluídos Irã, Sudão, Síria e Cuba.

Após a histórica aproximação entre Washington e Havana anunciada na quarta-feira, Obama pediu ao Departamento de Estado que retire Cuba da lista.

Rejeição. A Coreia do Norte garante que não está envolvida nos ataques contra a Sony e pediu a criação de uma comissão conjunta de investigação. No entanto, caso a ideia seja rechaçada pelos EUA, Pyongyang disse que promete agir. "Responderemos de maneira proporcional ao momento e lugar", disse a Comissão Nacional de Defesa Norte-coreana.

No fim de novembro, o grupo Sony Pictures foi alvo de um ataque reivindicado pelo grupo de hackers autodenominado Guardiães da Paz (GOP). Durante o ataque, diversas informações foram roubadas. Ameaças de ataques terroristas também foram feitas, caso o filme Uma Entrevista de Loucos, comédia sobre um complô fictício da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, para assassinar o líder norte-coreano Kim Jong-un, fosse exibido.

O ataque obrigou a Sony Pictures a cancelar a estreia do longa. Washington acusa a Coreia do Norte de ser responsável pelo ataque. O governo norte-coreano desmentiu a ligação com o ocorrido e propôs um inquérito conjunto para investigar o ataque virtual. / AFP e REUTERS

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