Obama apresenta plano de US$ 60 bilhões de combate à crise

Medidas incluem crédito tributário, saques de contas de fundo de pensão e moratória para hipotecas

Reuters e AP,

13 de outubro de 2008 | 16h26

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, propôs nesta segunda-feira, 13, uma série de novas medidas para recuperação econômica, incluindo crédito tributário e saques de contas de fundo de pensão sem cobrança de imposto temporariamente. O plano que visa a classe média deverá custar ao Tesouro americano US$ 60 bilhões em dois anos, segundo Jason Furman, diretor econômico da campanha de Obama.   Veja também: Proposta de McCain para crise irrita conservadores Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   A cronologia da crise financeira  Cobertura completa das eleições nos EUA   "Nós precisamos dar às pessoas o espaço para respirar que elas necessitam para voltarem ao chão", afirmou o democrata para uma multidão de mais de 3 mil pessoas em Toledo, Ohio, informa o jornal The New York Times. Ele propôs ainda uma moratória de 90 dias nas execuções hipotecárias para os proprietários que moram em casas hipotecadas. O plano também permitirá que as famílias retirem US$ 10 mil das suas contas de aposentadoria, sem pagar taxas.   A questão da economia domina a disputa pela Casa Branca neste ano. Milhares de americanos já perderam suas casas por não conseguirem pagar as hipotecas e o desemprego em alta ameaça a classe média. A campanha de Obama tem relacionado diretamente a crise econômica às "políticas falhas" do presidente George W. Bush, que, segundo o democrata, foram apoiadas pelo candidato republicano à Presidência, John McCain.   "Nós não podemos esperar para ajudar trabalhadores, famílias e comunidades que não sabem se seus empregos ou aposentadorias existirão amanhã", afirmou o candidato. O projeto do candidato democrata estenderá um desconto de US$ 3 mil nos impostos das empresas para cada emprego criado nos EUA nos próximos dois anos.   Ele pediu ainda que o Congresso dobre para US$ 25 bilhões as garantias de empréstimos governamentais para a indústria automotiva e elimine impostos temporariamente em benefícios dos desempregados.   Ao todo, as medidas para a economia já anunciadas pelo democrata terão um custo de US$ 175 bilhões, que serão aplicados em dois anos, de acordo com sua campanha. Furman disse que o projeto será pago, em parte, com impostos mais altos para os americanos mais ricos, e afirmou que "nossa maior prioridade é evitar uma recessão dolorosa."   "O senador Obama acredita que ele não pode deixar de cumprir sua promessa de cortar impostos para 95% dos trabalhadores e suas famílias", acrescentou Furman, ao insistir que a crise não mudará o plano econômico dos democratas.    Obama também pediu ao Federal Reserve (Fed) e ao Tesouro que crie uma ferramenta para empréstimos aos Estados e aos governos municipais, similar às medidas tomadas recentemente pelo Fed para injetar liquidez no mercado de crédito.   Pesquisas   A crise financeira ajudou a levar a candidatura Obama a uma liderança de 10 pontos porcentuais sobre o republicano John McCain na mais recente pesquisa Washington Post/ABC News. Segundo a sondagem, Obama tem 53% das intenções de voto e McCain 43%. A pesquisa mostra também que 90% dos eleitores registrados dizem que os EUA caminham na direção errada.   As propostas de Obama foram reveladas logo após McCain admitir na Virgínia que ele está atrás nas pesquisas, mas ainda pode se recuperar. A campanha democrata disse que o discurso de McCain não contém nenhuma proposta nova, apesar de indicações de que ele prepara uma ofensiva em projetos para a economia, com o objetivo de melhorar nas intenções de voto.   "Menos de 12 horas após a campanha republicana anunciar que o senador McCain finalmente teria algumas idéias novas na economia, ele decidiu que era mais importante fazer um novo discurso político sobre onde ele está nas pesquisas", disse Dan Pfeiffer, porta-voz de Obama.     (Com Agência Estado e Dow Jones)   

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