Obama apresenta política econômica e ataca McCain

Candidato democrata propõe medidas para crise e diz que política de rival republicano é um 'endosso' a Bush

The New York Times,

09 de junho de 2008 | 16h50

Classificando as propostas para economia do candidato republicano à Presidência americana John McCain como "um total endosso às políticas de George W. Bush", o virtual candidato democrata Barack Obama revelou uma amostra de seu plano para restaurar a economia dos Estados Unidos.   Veja também: Obama começa a desafiar McCain em feudos republicanos Possíveis vice-candidatos para Obama Possíveis vice-candidatos para McCain Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Em um discurso na Carolina do Norte nesta segunda-feira, 9, Obama se voltou àqueles americanos que estão sofrendo com a má fase da economia, com um plano de US$ 50 bilhões em estímulos fiscais, além da expansão dos benefícios para desempregados.   Obama também reafirmou sua proposta de US$ 10 bilhões para um fundo de prevenção à execução hipotecária, para ajudar a reduzir o risco de perda das casas, e prometeu "endurecer" diante das hipotecas. "O princípio é simples", disse o senador. "Se o governo pode afiançar bancos de investimentos de Wall Street, podemos estender a mão para aqueles que estão lutando na 'Main Street' (rua principal)."   O candidato democrata colocou a culpa da "baderna econômica do país" no que ele chama de política fiscal "cansada e desencaminhada" do presidente Bush, mas guardou a maior parte de seus ataques para seu rival nas eleições gerais.   Ele disse que as propostas de McCain para aliviar a crise imobiliária e o sistema de saúde poderão ajudar pouco os americanos. Obama tentou retratar seu rival como alguém inconstante em sua política econômica, destacando que agora McCain apóia estender o corte na receita dos impostos, mas votou contra a medida em 2001 e 2003.   "Se as políticas de John McCain fossem implantadas, elas adicionaram US$ 5.7 trilhões ao débito nacional na próxima década", declarou. "Isso não é conservadorismo fiscal, isso é o que George Bush tem feito nos últimos oito anos."   Mais cedo, um porta-voz da campanha de McCain, Tucker Boundsm criticou o democrata, dizendo que seus planos poderão impor mais impostos para aos americanos. "Em apenas três anos no Senado, Barack Obama votou 94 vezes para o aumento das taxas", disse Bounds em comunicado. "Ele não entende de economia americana, e isso é uma mudança que não podemos permitir."   McCain irá apresentar sua política econômica em um discurso em Washington na terça, e Obama disse ter planos para detalhar seu pacote na semana que vem.   Interesse na economia   A maioria dos americanos acredita que as condições econômicas atuais são ruins, mas ao mesmo tempo dizem que a situação será muito melhor dentro de um ano, indica uma pesquisa divulgada nesta segunda pela rede CNN.   O estudo, realizado pelo instituto Opinion Research Poll, indica que 78% dos entrevistados acreditam que a situação econômica atual é ruim ou muito ruim. Apenas 19% afirmam que a situação é passageira e 3% disseram que é muito boa.   Entretanto, quando os participantes foram perguntados sobre como estará a situação econômica dentro de um ano, 46% responderam que a situação estará um pouco melhor e 6% acreditam que estará muito boa.   A empresa que realizou a pesquisa com 1.035 adultos entre 4 e 5 de junho, depois que Obama se garantiu como candidato presidencial do Partido Democrata para as eleições de novembro.   A economia dos EUA vem caindo há quase dois anos por causa da queda no mercado imobiliário - uma crise do crédito que arrasou alguns dos principais bancos financeiros - e ao aumento acelerado dos preços da energia.   A taxa de desemprego subiu cinco décimos em maio, o maior aumento percentual em duas décadas, e chegou a 5,5%. Neste mês, mais de 800 mil pessoas entraram na fila do desemprego, o maior número em um mês desde 1975.   Eleições gerais   Uma pesquisa do instituto Gallup indicou um pequeno crescimento de Obama após Hillary Clinton deixar a corrida democrata no sábado. O democrata aparece com 48% dos votos, enquanto seu rival McCain obtém 42%.     (Com Reuters)

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