Obama arrecada US$ 7,2 milhões desde a Superterça

Comitê confirma arrecadação surpreendente um dia após Hillary afirmar que bancou US$ 5 mi de sua campanha

Associated Press e Reuters,

07 de fevereiro de 2008 | 14h11

O senador democrata Barack Obama arrecadou US$ 7.2 milhões para sua campanha eleitoral desde o fechamento das urnas na Superterça, anunciou seu comitê de campanha. O número impressionante causa mais preocupações entre os partidários da senadora Hillary Rodham Clinton, que afirmou que desembolsou US$ 5 milhões de seu próprio bolso para manter-se na disputa presidencial com o adversário democrata, uma admissão velada de que sua pré-candidatura perdeu a confiança dos financiadores, que estariam preferindo Obama. Veja também:"Republicanos usarão escândalos contra Hillary"Definição segue caminhos divergentesCorrida eleitoral deve seguir por semanasVeja as imagens da Superterça  Especial eleições americanas  Cobertura completa das eleições nos EUA   Obama e Clinton saíram praticamente empatados das prévias da Superterça, com ele tendo conquistado vitórias em 13 Estados e ela, em oito, incluindo na Califórnia e em Nova York. Com isso, acirrou-se ainda mais a luta pela nomeação presidencial do Partido Democrata e a importância da nova rodada de prévias, nos próximos seis dias. Também nesta quinta-feira, a campanha de Hillary convidou Obama a realizar um debate por semana até as primárias de 4 de março, mas o senador por Illinois rejeitou. Obama e Hillary arrecadaram muito mais do que qualquer outro pré-candidato em 2007. Cada um deles angariou US$ 100 milhões no ano passado. A campanha de Obama informou em sua página na internet que foram arrecadados mais de US$ 7,2 milhões desde a noite de terça-feira. Porta-vozes da campanha disseram ter certeza de que os números estão corretos. A arrecadação da campanha de Obama é crescente: ele obteve cerca de US$ 32 milhões de dólares em janeiro, contra menos de US$ 14 milhões dela. Assim, a ex-primeira-dama decidiu, no fim do mês passado, contar com seus recursos pessoais. Destacados assessores da senadora também têm assinado voluntariamente cheques em um momento no qual Hillary prepara-se para a próxima rodada de primárias. "Emprestei (à campanha) porque acredito muito nesta campanha", disse ela a repórteres em seu diretório em Arlington, Virgínia, que realiza prévias na próxima terça-feira. "Tivemos um grande mês de arrecadação em janeiro, quebramos recordes, mas meu rival conseguiu arrecadar mais dinheiro. Queríamos ser competitivos e fomos. Acho que os resultados da noite de terça provaram a sabedoria do meu investimento", acrescentou ela. Entusiasmado com o nível de arrecadação e com o calendário de fevereiro, Obama planeja uma blitz em diversos Estados e lutará pela vitória nas primárias no Meio-Atlântico, na próxima semana, e no Havaí e em Wisconsin na semana seguinte. Hillary Clinton, com menos dinheiro para gastar e não muito confiante com suas chances nas primárias de fevereiro, pretende concentrar-se nas primárias em Ohio e no Texas, dois Estados importantes que serão disputados em 4 de março e onde ela leva vantagem considerável. Hispânicos Hillary Clinton derrotou facilmente Barack Obama entre os eleitores hispânicos dos EUA na Superterça e o pré-candidato terá de gastar mais tempo e dinheiro com essa fatia do eleitorado se deseja aproximar-se da adversária, afirmaram analistas de política. Conforme o previsto, Hillary conquistou uma parte significativa do voto latino em quase todos os 22 Estados que realizaram prévias do Partido Democrata na terça-feira. Pesquisas de boca-de-urna indicam que a ex-primeira-dama angariou dois terços desse eleitorado em vários dos Estados. Esse fator poderia transformar-se em um problema para Obama na próxima votação em que haverá uma participação latina de peso, no dia 4 de março, no Texas. Hillary afaga há bastante tempo os eleitores de origem latino-americana, o universo de votantes que mais cresce nos EUA. E o fato de o nome dela ser mais conhecido e de Obama ter ingressado relativamente tarde na política nacional dá à pré-candidata uma vantagem natural. Na Califórnia, onde uma pesquisa de boca-de-urna da CNN mostrou que os latinos responderam por 29% dos eleitores democratas, Clinton ficou com 69% dos seus votos, contra 29% para Obama. O desempenho dela foi semelhante em outros Estados com grandes populações latinas. Se nada mudar, a vantagem de Hillary pode repetir-se no Texas, o segundo Estado mais populoso dos EUA (atrás apenas da Califórnia) e onde cerca de um quinto dos eleitores registrados são hispânicos. No entanto, com mais dinheiro para gastar e com uma agenda de campanha menos abarrotada, Obama pode dar aos latinos do Texas uma atenção maior do que fez com os latinos da Califórnia. O pré-candidato afirmou a repórteres na quarta-feira que "à medida que os latinos passam a me conhecer, nós conseguimos um desempenho melhor nas urnas." No Estado de Illinois, pelo qual é senador, Obama dividiu o voto latino com Hillary mais ou menos pela metade, segundo pesquisas da CNN e da MSNBC. "Os esforços de Obama para chegar aos latinos começaram um pouco tarde demais. Ele terá um pouco mais de tempo para se apresentar aos eleitores do Texas. Ele tem chances de diminuir a distância (em relação a Hillary)", disse Vanessa Cardenas, do Centro para o Progresso Americano. Outros analistas mostram-se menos confiantes nas chances de sucesso de Obama. "Ela (Hillary) tem atuado de forma habilidosa. Não acredito que haja deixado qualquer brecha para ele (Obama) explorar", afirmou Tamar Jacoby, do Instituto Manhattan, uma entidade de pesquisa.

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