Obama avalia pacote de US$ 850 bi para economia dos EUA

Medida do presidente eleito deve ser seu primeiro teste de negociação com o Legislativo após assumir o cargo

Agência Estado e Associated Press,

18 de dezembro de 2008 | 09h37

O presidente eleito Barack Obama está preparando as bases para um gigantesco pacote de estímulo financeiro, possivelmente de US$ 850 bilhões gastos em dois anos. A iniciativa deve ser seu primeiro teste de negociação com o Legislativo. O pacote, com o objetivo de reativar a declinante economia norte-americana, se compararia às drásticas ações governamentais tomadas para enfrentar a Grande Depressão, nos anos 1930.   Veja também: Mary Schapiro deve ser indicada para comissão de valores mobiliários Obama nomeia secretários da Agricultura e do Interior Obama escolhe republicano para Transportes, diz jornal Obama indica diretor de Chicago para a pasta da Educação Obama anuncia equipe de Energia e Meio Ambiente O gabinete do presidente eleito   Obama não estabeleceu o valor total, e o número final poderia ser menor. Porém após consultar economistas liberais e conservadores, seus conselheiros começaram a falar aos congressistas que o estímulo deve ser maior que os US$ 600 bilhões inicialmente previstos, segundo funcionários.   Como as obras públicas da era da depressão, o plano de Obama incluiria gastos com rodovias e outros projetos de infra-estrutura, bem como novas e renovadas escolas. Também se voltaria para tornar mais eficiente o consumo de energia em edifícios governamentais e no desenvolvimento de "tecnologias verdes", melhores para o meio ambiente.   Também incluiria alguma forma de redução na carga de impostos, de acordo com a equipe de Obama. Os assessores sabem da dificuldade política de se passar um pacote tão amplo no Congresso, mesmo em uma época de recessão. Qualquer corte de impostos deve estar voltado para os contribuintes das classes média e baixa, e os assessores disseram que não haveria aumento de impostos para os norte-americanos ricos.   Alguns dos economistas consultados pela equipe de Obama sugeriram um gasto de até US$ 1 trilhão em dois anos, porém o valor mais provável parece ser US$ 850 bilhões. Há temor de que um pacote que pareça tão grande possa preocupar os mercados financeiros, e a próxima equipe econômica também quer sinalizar com responsabilidade nos gastos públicos.   Além dos projetos de construção, Obama deve buscar fundos adicionais para programas de auxílio aos desempregados, incluindo seguro-desemprego e requalificação profissional, apontou um funcionário democrata. Os assessores disseram concordar das previsões econômicas segundo as quais sem dinheiro do governo o desemprego subirá acima dos 9% e não sairá desse patamar até 2011.   Líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid disse na quarta-feira que Obama indicou que o Congresso receberá suas propostas para recuperar a economia logo no início do ano. "Ele nos entregará isso muito rápido e portanto esperamos que dentro dos primeiros dez dias ou duas semanas que ele esteja no cargo, ou seja após 20 de janeiro, possamos aprovar o pacote de estímulo", afirmou Reid. "Nós queremos fazer isso muito rapidamente."   Em carta a Peter Orszag, nome de Obama para chefiar o orçamento, Reid perguntou se o pacote de estímulo incluirá cortes de impostos para a classe média, incluindo uma redução nas taxas e na extensão do corte de impostos para quem tem crianças. Auxiliares de Obama já disseram que esperam trabalhar com os republicanos para aprovar a medida, particularmente no Senado, onde o Partido Republicano poderia atrasar sua tramitação. Nesta semana, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, disse que os democratas preparavam seu próprio plano de recuperação na casa dos US$ 600 bilhões, unindo-se às medidas para fortalecer a economia em desaceleração com gastos federais de longo prazo, que inclua o plano de Obama.   Um pacote que se aproxime dos US$ 1 trilhão pode enfrentar sérias dificuldades na oposição republicana no Congresso. Também poderia causar mal-estar entre os democratas moderados e conservadores que se opõem a grandes déficits no orçamento. "Os republicanos querem trabalhar com o presidente eleito para ajudar a economia a entrar na rota da recuperação, mas temos grandes reservas a pegar US$ 1 trilhão dos contribuintes em dificuldades e gastar em programas de governo em nome do 'estímulo' econômico", afirmou o líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, John Boehner, em um comunicado.   Em fevereiro, o Congresso aprovou uma lei de estímulo ao custo de US$ 168 bilhões e também a renúncia de US$ 600 em impostos da maioria dos contribuintes individuais e também menos impostos para as empresas.

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